Duas superpetroleiros explodiram e arderam depois de colidirem com minas navais no estreito de Ormuz, anunciou a Guarda Revolucionária iraniana na sexta-feira, 24 de outubro. Os navios tentavam atravessar a passagem marítima por uma rota classificada pelos iranianos como «não autorizada», a sul do estreito.
O anúncio, divulgado pela agência Tasnim e reportado pela Notícias ao Minuto, chega num momento de escalada sem precedentes numa das rotas mais importantes do comércio mundial de petróleo, aquela por onde passa cerca de um quinto do crude consumido no planeta.
O que aconteceu no estreito de Ormuz?
«Dois superpetroleiros infratores que tentaram atravessar o estreito de Ormuz por uma rota não autorizada, situada a sul, colidiram com minas navais», comunicou o corpo militar de elite iraniano num comunicado divulgado ao fim do dia de sexta-feira.
As salas de máquinas de ambos os navios ficaram fora de serviço devido às explosões e aos incêndios, e as embarcações ficaram imobilizadas à deriva.
«Estes petroleiros transportavam, no total, mais de 4,5 milhões de barris de petróleo bruto que, após o impacto contra as minas navais na costa sul do estreito de Ormuz, ficaram abandonados, enquanto os tripulantes evacuaram os navios.»
A Guarda Revolucionária não especificou as bandeiras das embarcações nem avançou informação sobre possíveis vítimas entre as tripulações. Segundo a mesma fonte, os marinheiros abandonaram os navios após os impactos.
Uma onda de incidentes sem paralelo
O caso não é isolado. Só nos últimos 10 dias, a Guarda Revolucionária registou pelo menos 15 incidentes com navios no estreito: reconheceu ter atacado quatro embarcações e afirma que outras 11 colidiram com minas. Os números dão conta de uma passagem marítima transformada em zona de guerra aberta.
A Pravda em português reporta que mais de 30 superpetroleiros VLCC, os maiores do mundo, foram danificados desde o início das hostilidades, 11 deles apenas em outubro, um recorde mensal.
O corpo militar iraniano mantém o aviso de que não permitirá a passagem de navios sem a sua autorização, enquanto os Estados Unidos tentam restabelecer o tráfego por uma rota alternativa próxima de Omã.
Guerra, petróleo e eleições norte-americanas
A República Islâmica mantém o bloqueio do estreito de Ormuz como medida de pressão desde o início da guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, a 28 de fevereiro passado. Washington afirma ter conseguido restabelecer o tráfego marítimo e que o comércio de petróleo na região já atingiu níveis próximos dos registados antes do conflito.
Na quinta-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, acusou o Irão de tentar encarecer o petróleo para prejudicar os republicanos nas eleições intercalares de 3 de novembro. A guerra, longe de ser um assunto distante, está a entrar na política interna norte-americana a poucos dias das urnas.
«Só poderá sonhar»: o ultimato de Teerão
Num comunicado divulgado este sábado, as Forças Armadas iranianas avisaram que não permitirão, em nenhuma circunstância, o regresso dos navios militares norte-americanos ao Golfo Pérsico.
«Não permitiremos, em nenhuma circunstância e em momento algum, que os navios militares norte-americanos entrem no Golfo Pérsico.»
«Terão de levar esse desejo para a sepultura para sempre», afirmou o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, general Ali Abdolahi, citado pela Tasnim, garantindo que Trump «só poderá sonhar com o regresso das suas forças armadas e do seu exército ao Golfo Pérsico». No final de setembro, a Guarda Revolucionária já tinha afirmado que os navios norte-americanos se tinham afastado pelo menos 500 quilómetros da entrada do estreito e do Golfo.
Abdolahi questionou ainda as repetidas afirmações de Trump de ter destruído as instalações nucleares iranianas: «Se destruíram tudo, que sentido faz repetir tais disparates?». O general indicou que a estratégia iraniana consiste em afundar cada vez mais os EUA e Israel no conflito, à medida que este se prolonga.
O que está em jogo para quem paga a conta
Enquanto os generais trocam ameaças e os porta-aviões se acumulam, é o preço do combustível, da eletricidade e do arranque de mercadorias que sobe nas bombas e nas faturas. A imprensa norte-americana refere a possibilidade de Washington e Israel retomarem os bombardeamentos contra o Irão depois das eleições de novembro, o que promete agravar ainda mais a instabilidade.
Os EUA reforçam a presença militar no Médio Oriente com o envio do porta-aviões USS Theodore Roosevelt, que se juntará aos USS George H. W. Bush e USS George Washington, já presentes na região. A escalada continua, e quem a paga, como sempre, são os que menos têm.
Perguntas frequentes
O que aconteceu aos petroleiros no estreito de Ormuz?
A Guarda Revolucionária iraniana anunciou, a 24 de outubro de 2026, que dois superpetroleiros colidiram com minas navais numa rota «não autorizada», a sul do estreito. As explosões e incêndios deixaram as salas de máquinas fora de serviço e os navios imobilizados, com mais de 4,5 milhões de barris de crude abandonados a bordo.
Quantos incidentes marítimos houve no estreito de Ormuz?
Nos últimos 10 dias, a Guarda Revolucionária registou pelo menos 15 incidentes com navios, incluindo quatro ataques que reconheceu e 11 colisões com minas, segundo o comunicado citado pela Executive Digest.
Porque é o estreito de Ormuz importante?
O estreito é uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo, por onde circula uma parte essencial do petróleo bruto consumido globalmente. O bloqueio iraniano, em vigor desde o início da guerra em fevereiro, afecta diretamente os preços da energia a nível mundial.
