Estreito de Ormuz: o acordo Irão-Omã que expõe a propaganda de Trump
Na terça-feira, 25 de agosto, apenas cinco navios cruzaram o Estreito de Ormuz, um número que contrasta fortemente com os 120 a 138 que ali passavam diariamente antes da guerra. Apesar disso, Donald Trump insiste que o estreito está aberto e que todas as minas foram destruídas. Mas os factos contam outra história, e o Irão não perdeu tempo em fazer a pergunta incómoda: se está tudo limpo, porque é que os navios não passam?
No mesmo dia, Irão e Omã anunciaram um acordo sobre rotas marítimas temporárias para atravessar essa passagem vital, por onde circulava um quinto do petróleo mundial. O porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebbi, confirmou que as negociações duraram cerca de um mês e que os resultados são aceitáveis para ambos os lados, com acordos sobre a quota-parte de cada país nas águas do estreito e a repartição das receitas.
O que muda com o acordo entre Irão e Omã?
O acordo estabelece um corredor temporário de navegação e uma operação de desminagem, depois de um encontro entre os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países em Teerão. As negociações prosseguem para definir um corredor permanente e a gestão futura do estreito, incluindo um mecanismo para prestar os serviços de navegação e segurança necessários.
Mas Mohebbi foi claro: isto não significa que o estreito esteja aberto. E acusou os EUA de quererem obstruir as negociações, lembrando que Trump chegou a ameaçar atacar Omã, um país aliado, se este se metesse no caminho dos esforços de Washington para reabrir a passagem.
Porque é que Trump insiste que o estreito está aberto?
O presidente norte-americano afirma que todas as minas foram removidas ou detonadas, e avisou que qualquer embarcação apanhada a colocar novas será imediatamente destruída. Mas o vice-chefe da diplomacia iraniana, Kazem Garibabadi, respondeu com uma pergunta que vale por mil declarações:
Se os EUA removeram realmente as minas, porque é que os navios ainda não estão a passar pelo Estreito de Ormuz?
Garibabadi classificou a declaração de Trump como uma estratégia de propaganda destinada a baixar o preço do petróleo, e ameaçou os navios de desminagem, considerando-os alvos muito fáceis.
A guerra económica contra o Irão continua
Entretanto, os EUA mantêm o bloqueio aos portos iranianos, numa tentativa de sufocar a economia do país ao restringir as exportações de petróleo. Trump lançou uma série de sanções contra o Irão, na esperança de que isso possa levar à queda do regime. Questionado pela Al-Jazeera sobre se as medidas económicas eram mais eficazes do que os ataques militares, respondeu sem hesitar: ambas são eficazes. E deixou claro que não tem pressa em voltar à mesa das negociações.
Quem paga o preço desta guerra?
Enquanto os líderes jogam xadrez geopolítico, são os povos que sofrem as consequências. O bloqueio económico estrangula a população iraniana, e a instabilidade no estreito ameaça o preço dos bens essenciais em todo o mundo. A propaganda de Trump tenta vender uma vitória que os números desmentem, e o acordo entre Irão e Omã mostra que há caminhos para a paz que não passam por Washington.
O memorando de entendimento expirou a 17 de agosto, e o Irão foi explícito: se os EUA não aceitarem as condições, o Estreito de Ormuz não será aberto em circunstância alguma. A bola está do lado americano, mas Trump parece mais interessado em manter a pressão do que em encontrar uma solução.
Perguntas frequentes sobre o Estreito de Ormuz
Porque é que o Estreito de Ormuz é tão importante?
Por ali passava, antes da guerra, um quinto do petróleo mundial, com uma média de 120 a 138 navios por dia. É uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.
O que estabelece o acordo entre Irão e Omã?
O acordo define rotas temporárias de navegação, uma operação de desminagem e a repartição de receitas entre os dois países. As negociações continuam para um corredor permanente.
Os EUA aceitaram o acordo?
Não. Washington continua a obstruir as negociações e mantém o bloqueio económico aos portos iranianos, enquanto Trump insiste que o estreito está aberto, algo que os números desmentem.