Trump e Netanyahu: reunião a portas fechadas esconde rachas na guerra contra o Irão
A primeira reunião entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu desde o ataque conjunto ao Irão, a 28 de fevereiro, foi fechada ao público e terminou com um comunicado curto da Casa Branca. Enquanto isso, o gabinete do primeiro-ministro israelita tratou de espalhar fotos sorridentes do encontro, numa tentativa de mostrar que a aliança continua firme.
O que se passou na Sala Oval?
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, escreveu no X que as reuniões com o presidente ucraniano Zelensky e com Netanyahu foram “positivas e construtivas”. Mas a verdade é que, por detrás das imagens de líderes a sorrir, há tensões que não se escondem. Netanyahu publicou várias fotografias ao lado de Trump, mas o ambiente estava longe de ser de paz.
Estiveram presentes o vice-presidente JD Vance, o chefe da diplomacia Marco Rubio, o secretário da Defesa Pete Hegseth e o enviado Steve Witkoff. Foi o oitavo encontro desde que Trump voltou ao poder, em janeiro de 2025, e ocorreu depois do funeral do senador republicano Lindsey Graham, um grande apoiante de Israel.
Divergências públicas sobre o rumo da guerra
Cinco meses depois do ataque ao Irão, Trump quer uma saída negociada para um conflito que se tornou impopular nos EUA. Os preços do petróleo dispararam, e os aliados estão cada vez mais descontentes. O próprio Trump admitiu ter “pequenas diferenças” com Netanyahu, embora diga que partilham posições “muito próximas”.
Mas a realidade é outra. Trump avisou Netanyahu que ninguém pode ditar as armas que os EUA vendem a outros países, numa resposta clara à oposição israelita à venda de caças F-35 à Turquia. E horas antes da reunião, Trump mostrou-se irritado com a divulgação, por parte de Netanyahu, da fortificação de um bunker nuclear iraniano, acusando-o de querer manter os EUA em guerra.
Israel quer continuar a ofensiva, EUA hesitam
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, disse que Israel está “muito ansioso” por retomar a ofensiva, mas que os EUA estão a atrasar tudo por medo de represálias e de uma crise global no petróleo. Netanyahu, em campanha para a reeleição a 27 de outubro, tenta mostrar que a relação com Washington continua forte, apesar de Trump evitar comentar se o apoia nas eleições.
Trump já o chamou de “doido” numa conversa telefónica tensa em junho, sobre os ataques no Líbano. Agora, o presidente norte-americano ordenou a suspensão de bombardeamentos contra o Irão, a pedido dos mediadores do Médio Oriente, para dar mais uma oportunidade à diplomacia.
O que está em jogo?
As discussões na Casa Branca deviam focar-se no Irão, no acordo entre Israel e o Líbano, na situação em Gaza e na expansão dos Acordos de Abraão. Mas o que se vê é um Netanyahu a tentar manter a guerra acesa, enquanto Trump procura uma saída que não lhe custe mais apoios internos.
Para os povos da região, o que interessa é saber se esta reunião vai trazer mais bombas ou mais paz. E a resposta, como sempre, fica escondida atrás de portas fechadas.
Perguntas frequentes sobre a reunião Trump-Netanyahu
Porque é que a reunião foi a portas fechadas?
A Casa Branca não deu explicações, mas o secretismo sugere que as divergências entre os dois líderes são maiores do que querem mostrar. O comunicado final foi lacónico, o que é raro em encontros deste nível.
O que está a causar tensão entre Trump e Netanyahu?
Trump quer acabar com a guerra no Irão, que se tornou impopular e cara. Netanyahu, em campanha eleitoral, quer continuar a ofensiva para mostrar força. Há ainda desentendimentos sobre a venda de armas a outros países e sobre a divulgação de informações secretas.
Como é que esta reunião afeta os povos do Médio Oriente?
Se a guerra continuar, os preços do petróleo sobem e a instabilidade aumenta. Se houver um acordo, pode abrir caminho para a paz, mas também para mais pressão sobre os palestinianos e outros povos da região. O futuro é incerto.