O Exército português recebeu no domingo, 25 de outubro, o primeiro helicóptero UH-60L Black Hawk, transportado num avião KC-390 da Força Aérea desde Melbourne, na Florida, até ao Aeródromo Militar de Tancos, no distrito de Santarém. O aparelho aguarda agora a conclusão da certificação para iniciar operações, estando prevista a entrega de mais três aeronaves até 2028. Segundo o Observador, o programa custa cerca de 40 milhões de euros, acrescidos de IVA.
A notícia da chegada foi avançada pela 24 Notícias e confirmada pela CNN Portugal e pelo Notícias ao Minuto, que citam o porta-voz do Exército.
O que disse o Exército
«O primeiro helicóptero UH-60L Black Hawk encontra-se na fase final do processo de aceitação e certificação e iniciará progressivamente a atividade aérea após a conclusão destes procedimentos», afirmou o porta-voz do Exército, citado pela agência Lusa.
A mesma fonte explicou que o Exército já tem militares qualificados em pilotagem e manutenção aeronáutica, com formação de novos quadros em curso. Em Tancos prossegue a adaptação das infraestruturas permanentes, incluindo hangares, pista de aviação, torre de controlo e áreas de manutenção.
Quatro helicópteros até 2028
O programa contempla quatro helicópteros Black Hawk. O segundo deve chegar no segundo trimestre de 2027, o terceiro no quarto trimestre do mesmo ano e o último no primeiro trimestre de 2028. A Unidade de Helicópteros de Apoio, Proteção e Evacuação do Exército (UHAPE), sediada em Tancos, atingirá a plena capacidade operacional à medida que os aparelhos chegarem e o pessoal concluir a formação.
Cada aparelho transporta até 12 militares e permitirá missões de reconhecimento, transporte tático, apoio aéreo próximo e evacuação médica, em território nacional e em missões internacionais, como explicou em outubro de 2025 o então chefe do Estado-Maior do Exército, general Eduardo Mendes Ferrão, que falou de um «marco histórico».
Quem paga a conta?
O investimento, previsto na Lei de Programação Militar e autorizado em outubro de 2024 por despacho do ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, ascende a cerca de 40 milhões de euros, acrescidos de IVA. É dinheiro público, num país onde os serviços públicos de saúde, educação e proteção civil vivem com orçamentos apertados.
A justificação oficial aponta para o uso em situações de emergência e apoio à proteção civil, incluindo transporte de feridos, apoio logístico e resposta a catástrofes naturais. A nova unidade integrará o dispositivo de apoio militar de emergência, reforçando a articulação com entidades de proteção civil e socorro.
Fica a pergunta que este jornal faz sempre que o Estado gasta dezenas de milhões em material militar: será que os incêndios, as inundações e as evacuações médicas não seriam melhor servidas por meios civis dedicados e financiados em permanência, em vez de capacidades militares de duplo uso? O debate está aberto.
Perguntas frequentes
Quando chegou a Portugal o primeiro Black Hawk do Exército?
Chegou ao Aeródromo Militar de Tancos no domingo, 25 de outubro de 2026, transportado num avião KC-390 da Força Aérea Portuguesa desde Melbourne, na Florida, nos Estados Unidos.
Quantos helicópteros Black Hawk vai comprar Portugal?
Quatro, num programa avaliado em cerca de 40 milhões de euros, acrescidos de IVA. As entregas decorrem até ao primeiro trimestre de 2028.
Para que servem estes helicópteros?
Transporte tático de forças, projeção e extração de tropas, apoio a operações militares, evacuação médica e apoio à proteção civil em situações de catástrofe.
