A Mercedes-AMG apresentou esta semana o novo GT SUV, um SUV 100 por cento elétrico de pendor desportivo que chega ao mercado em três versões e debita até 1.169 cv de potência. A versão de entrada, o 53 SUV, já pode ser encomendado em Portugal a partir de 128 mil euros, um valor que coloca o modelo fora do alcance da esmagadora maioria das famílias portuguesas.
Segundo o Notícias ao Minuto, que revelou a apresentação do modelo, o novo GT SUV é o primeiro grande SUV elétrico construído de raiz pela AMG, com tecnologia inspirada na Fórmula 1 e carregamento ultrarrápido de até 710 kW. É o retrato perfeito de uma indústria automóvel que investe milhões em brinquedos de luxo enquanto os trabalhadores continuam a esperar por transportes públicos decentes.
Três versões, potências de outro planeta
A gama abre com o 53 SUV, equipado com dois motores síncronos de 544 cv e 800 Nm de binário. Acelera dos 0 aos 100 km/h em 4,2 segundos, atinge os 230 km/h e usa uma bateria de 106 kWh que garante uma autonomia combinada de 663 km. O carregamento dos 10 aos 80 por cento demora 11 minutos em condições ideais.
O 55 SUV sobe para três motores de fluxo axial, 816 cv e 1.860 Nm, com aceleração dos 0 aos 100 km/h em 2,8 segundos e velocidade máxima de 270 km/h com o Driver's Package. A bateria pode ser de 106 kWh ou de 128 kWh, com autonomias de 585 km ou 700 km.
No topo, o 63 SUV entrega 1.169 cv e 2.000 Nm com os mesmos três motores de fluxo axial. Faz os 0 aos 100 km/h em 2,5 segundos e chega aos 270 km/h. Como nota o site Motor 24, a bateria de 800 volts inspira-se diretamente na Fórmula 1, uma herança tecnológica que a marca faz questão de sublinhar.
Carregamento ultrarrápido e som de V8 sintético
O sistema elétrico de 800 volts permite carregamentos brutais: a bateria de 106 kWh recupera 380 km de autonomia em dez minutos a uma potência contínua de até 600 kW, enquanto a de 128 kWh recupera 450 km no mesmo tempo a 710 kW. São números impressionantes, mas que levantam uma questão incómoda: como é que a mesma indústria não consegue resolver a carência de carregadores públicos acessíveis em todo o país?
Por cá dentro, a Mercedes aposta na nostalgia. O programa de condução AMGForce Sport+ reproduz o som de um motor V8 ou de um seis cilindros, com vibração nos bancos e grafismo dedicado no painel de instrumentos. Os sons não são gerados de forma totalmente sintética: têm por base mais de 100 medições feitas com 16 microfones em veículos de referência, adaptando-se em tempo real ao estilo de condução. Há até passagens de caixa manuais simuladas através de patilhas no volante.
Suspensão, travões e um tamanho que não passa despercebido
O GT SUV estreia a suspensão AMG Active Ride Control+, que estabiliza os movimentos de inclinação longitudinal e lateral da carroçaria. É de série no 63 SUV e opcional no 55 SUV. O sistema AMG Race Engineer permite afinar a resposta do automóvel, a dinâmica em curva e a derrapagem das rodas com três comandos rotativos, disponível apenas nas duas versões mais caras.
Os travões são de aço no 53 e no 55, enquanto o 63 recebe travões de carbo-cerâmica de série. O eixo traseiro direcional ativo e a tração integral 4Matic+ estão disponíveis em toda a gama.
Em tamanho, o modelo não discreta: 5,08 metros de comprimento, 2 metros de largura e uma distância entre eixos de 3.040 mm. O coeficiente aerodinâmico varia entre 0.27 e 0.28 conforme a variante, com um spoiler ativo que se ajusta a partir dos 150 km/h.
Interior tecnológico com três assistentes de IA
O habitáculo é centrado no condutor, com painel de instrumentos de 10,25 polegadas ligado a um ecrã tátil central de 14 polegadas, e há um terceiro ecrã de 14 polegadas opcional para o passageiro da frente. A nova geração do sistema MBUX integra três agentes de inteligência artificial: ChatGPT, Google Gemini e Microsoft Bing.
Como destaca a Tek Notícias, este é o primeiro SUV de grandes dimensões da AMG feito de raiz para ser totalmente elétrico, um marco na estratégia da marca alemã. O assistente virtual MBUX consegue manter diálogos complexos e o condutor tem sete modos de condução à disposição, do Eco ao Race.
Quanto custa e quando chega a Portugal
O 53 SUV já está disponível para encomenda em Portugal a partir de 128 mil euros. As versões 55 e 63 chegam na primavera de 2027, segundo a informação divulgada pela marca. Na Europa, o preço de partida ronda os 113 mil euros, como reportou o AutoPapo.
Enquanto os salários reais portugueses mal chegam para pagar rendas e créditos, a indústria automóvel aposta o futuro da mobilidade elétrica em máquinas de seis dígitos com potência de corrida. A transição elétrica não pode ser um privilégio de ricos; se o for, a fatura climática e social vai ser paga, como sempre, por quem menos tem.
Perguntas frequentes
Qual é a potência máxima do Mercedes-AMG GT SUV?
A versão topo de gama, o 63 SUV, debita até 1.169 cv e 2.000 Nm de binário com três motores de fluxo axial.
Qual é a autonomia do novo GT SUV?
Depende da bateria: a de 106 kWh garante até 668 km e a de 128 kWh chega aos 700 km.
Quanto custa o Mercedes-AMG GT SUV em Portugal?
A versão de entrada, o 53 SUV, parte dos 128 mil euros e já pode ser encomendada. As versões 55 e 63 chegam na primavera de 2027.
Quanto tempo demora a carregar?
A bateria de 128 kWh recupera 450 km de autonomia em dez minutos a uma potência de carregamento de 710 kW.
