Paul Thomas Anderson conquista prémio que antecipa vitória nos Óscares
O realizador de "Batalha Atrás de Batalha" venceu o principal galardão do Sindicato dos Realizadores Americanos, um indicador histórico do que acontecerá na cerimónia de Hollywood. Enquanto isso, um documentário ucraniano sobre a guerra lembra-nos das verdadeiras batalhas que se travam longe dos tapetes vermelhos.
À terceira nomeação, Paul Thomas Anderson recebeu finalmente o reconhecimento dos seus pares no Sindicato de Realizadores de Cinema, Televisão e Publicidade dos EUA, numa gala realizada em Beverly Hills. O seu filme, que retrata um ex-revolucionário a proteger a filha quando fantasmas do passado regressam, solidifica-se como grande favorito para os Óscares de 15 de março.
Os números falam por si: em 77 edições anteriores dos DGA Awards, apenas oito vencedores falharam depois o Óscar de Melhor Realização. "É uma grande honra receber isto", declarou Anderson, visivelmente emocionado perante a ovação dos colegas. "Vamos aceitá-lo com o amor que é dado e com o apreço de todos os nossos camaradas nesta sala."
Hollywood celebra enquanto o mundo arde
Mas enquanto Hollywood se felicita, outras vozes ecoaram na mesma cerimónia com mensagens bem mais urgentes. Mstyslav Chernov, jornalista e cineasta ucraniano galardoado com um Óscar, venceu o prémio de Melhor Documentário com "2000 Meters to Andriivka", um filme que acompanha um pelotão ucraniano na luta para libertar uma aldeia ocupada pela Rússia.
"É assustador viver num mundo onde, em vez de uma câmara, é preciso arranjar uma arma para defender a sua casa", disse Chernov, numa declaração que contrasta brutalmente com o glamour da indústria cinematográfica. O realizador agradeceu "a cada soldado, a cada civil, a cada cineasta que fez a escolha de deixar a câmara por enquanto, pegar numa arma e ir lutar."
A corrida aos Óscares intensifica-se
"Batalha Atrás de Batalha" entra na corrida aos Óscares com 13 nomeações, ficando apenas atrás de "Pecadores", o filme de vampiros de Ryan Coogler que estabeleceu um recorde com 16 nomeações em 98 anos de história dos prémios.
A competição promete ser renhida, com nomes como Chloé Zhao ("Hamnet") e Josh Safdie ("Marty Supreme") também na corrida. Curiosamente, Guillermo Del Toro, que apresentou a cerimónia e cujo "Frankenstein" estava nomeado pelos DGA, ficou de fora das nomeações para os Óscares, substituído por Joachim Trier com "Valor Sentimental".
Enquanto a máquina de Hollywood se prepara para mais uma noite de auto-celebração, vozes como a de Chernov lembram-nos que há batalhas bem mais importantes a serem travadas longe dos estúdios e dos tapetes vermelhos. A arte pode inspirar, mas a realidade exige mais do que aplausos.