O negócio do século: como o Porto transformou 300 mil euros em 15 milhões com Cissokho
É uma história que bem retrata as contradições do futebol moderno. Enquanto clubes gastam fortunas em jogadores medianos, por vezes basta um olho clínico para descobrir uma pérola escondida. Foi exactamente isso que aconteceu com Aly Cissokho, o lateral francês que o FC Porto foi buscar ao Vitória de Setúbal por míseros 300 mil euros e vendeu seis meses depois por 15 milhões.
Da terceira divisão francesa ao estrelato europeu
Poucos jogadores tiveram uma ascensão tão meteórica quanto Cissokho. Na temporada 2008/2009, o então jovem lateral saltou directamente da terceira divisão francesa, onde jogava no Gueugnon, para o campeonato português, vestindo a camisola do Vitória FC.
Defesa esquerdo com grande projeção ofensiva, ao estilo lateral moderno, Cissokho depressa chamou a atenção. O FC Porto, orientado por Jesualdo Ferreira, que procurava desesperadamente um lateral esquerdo após os falhanços de Lino, Leandro, Nelson Benítez e Marek Cech, não perdeu tempo.
O investimento que valeu ouro
No mercado de inverno, os dragões decidiram apostar no francês filho de pais senegaleses. O investimento? Apenas 300 mil euros, uma quantia quase insignificante nos padrões actuais do futebol.
Cissokho rapidamente se afirmou no onze titular portista, incluindo na Liga dos Campeões. Não se intimidou nos grandes palcos: enfrentou o Atlético de Madrid e o Manchester United. Foi precisamente contra os ingleses, em Old Trafford, que protagonizou um duelo memorável com um jovem Cristiano Ronaldo, conseguindo anular o craque português.
A vingança de CR7 aconteceria na semana seguinte, com um golo memorável do meio da rua que calou o Estádio do Dragão e ainda hoje deve ser pesadelo para o guardião Helton.
O bilhete da lotaria
Apesar da eliminação nos quartos de final da Champions, o talento de Cissokho tinha dado nas vistas. O Lyon não hesitou: pagou 15 milhões de euros pelo lateral, proporcionando ao FC Porto um lucro 500 vezes superior ao investimento inicial.
Um verdadeiro bilhete da lotaria que o clube liderado por Pinto da Costa foi buscar a Setúbal. Curiosamente, antes do negócio com o Lyon, o AC Milan chegou a anunciar Cissokho como reforço, mas voltou atrás na decisão devido a um problema dentário.
Uma carreira pelo mundo
Após deixar o Porto com uma Taça de Portugal e uma Liga na bagagem, Cissokho construiu uma carreira internacional respeitável. No Lyon, onde ficou três temporadas, conquistou uma Supertaça e uma Taça de França.
Seguiram-se passagens pelo Valencia, Liverpool, Aston Villa, Olympiacos e clubes turcos. Teve ainda um regresso frustrado ao Porto, onde realizou apenas três jogos, confirmando que já não era o jogador de outros tempos.
Actualmente, aos 38 anos, Cissokho continua activo na Tailândia, no Lamphun Warrior, bem longe dos holofotes mas sempre próximo dos adeptos através das redes sociais, onde partilha fotografias recentes sem esquecer as conquistas do passado.
Esta história ilustra bem como o futebol pode ser imprevisível. Enquanto muitos clubes desperdiçam milhões em contratações falhadas, por vezes basta um investimento modesto e um olho clínico para descobrir um diamante em bruto. O caso Cissokho permanece como um dos melhores negócios da história recente do futebol português.