Eleições presidenciais mantêm-se domingo apesar das cheias
Enquanto o país ainda conta os estragos das tempestades que assolaram várias regiões, o poder político mantém-se firme: as eleições presidenciais realizam-se no próximo domingo, 8 de fevereiro, como previsto.
A proposta de André Ventura para adiar o sufrágio foi rapidamente rejeitada pelas autoridades competentes. A Comissão Nacional de Eleições foi clara: a lei não permite o adiamento geral das eleições, apenas nos municípios que o solicitem devido a condições excecionais.
Governo e Presidente unidos na defesa do calendário eleitoral
Luís Montenegro, após reunião do Conselho de Ministros, defendeu que "na esmagadora maioria do país" existem condições para realizar a segunda volta. O primeiro-ministro fez ainda um apelo veemente à participação popular.
Marcelo Rebelo de Sousa foi igualmente categórico: a lei eleitoral não foi alterada e não permite adiar as presidenciais em todo o território nacional. Para o Presidente da República, "esta é uma questão que não se põe".
Constitucionalistas criticam manobra de Ventura
Pedro Alves, especialista em direito constitucional, não poupou críticas ao líder do Chega. "André Ventura devia ter o sentido de responsabilidade, mas como sempre lhe falta", afirmou à CNN Portugal.
O constitucionalista acusou Ventura de instrumentalizar a situação: "Sabe o que está a fazer e está a brincar com uma coisa com a qual não devia estar". Para Alves, o candidato presidencial deveria esforçar-se para garantir eleições no maior número de locais possível, em vez de criar problemas adicionais.
Três concelhos forçados a adiar por questões de segurança
Apesar da posição oficial, a realidade no terreno obrigou três municípios a solicitar o adiamento: Alcácer do Sal, Golegã e Arruda dos Vinhos.
Em Alcácer do Sal, onde mais de 200 pessoas foram retiradas das suas casas devido às cheias, a presidente Clarisse Campos foi taxativa: "Não temos mesmo condições. Temos muitas localidades isoladas, algumas onde funcionam mesas de voto".
A autarca descreveu um cenário dramático: "Temos toda a zona baixa da cidade completamente inundada", tornando impensável a realização do ato eleitoral com as mínimas condições de segurança.
Na Golegã e Arruda dos Vinhos, as decisões seguiram a mesma lógica: evitar deslocações desnecessárias da população em condições meteorológicas adversas. Nestes concelhos, as eleições realizam-se no dia 15 de fevereiro.
Campanha termina em zona fustigada pelas cheias
Numa ironia do destino, tanto António José Seguro como André Ventura terminam hoje a campanha precisamente em Alcácer do Sal, uma das zonas mais afetadas pelo mau tempo.
Seguro, por seu lado, mostrou-se compreensivo com a situação, defendendo que só faz sentido adiar "nos concelhos em que não há condições". O candidato socialista classificou a proposta de Ventura como mais uma manobra eleitoral.
Portugal vai assim a votos no próximo domingo, com a esmagadora maioria dos municípios em condições de garantir o exercício democrático, apesar dos constrangimentos meteorológicos que ainda se fazem sentir em algumas regiões.