Do Sado ao sucesso: a história de Cissokho e o negócio do século do FC Porto
Há histórias no futebol que espelham perfeitamente como este desporto se tornou um autêntico casino financeiro. A de Aly Cissokho é uma delas. Em 2009, um jovem lateral francês saltou da terceira divisão francesa para o Vitória de Setúbal, numa época em que o clube sadino ainda respirava entre os grandes do futebol português.
O que aconteceu a seguir é um exemplo perfeito de como os grandes clubes pescam nos pequenos para fazer negócios milionários. O FC Porto, sempre de olho nas oportunidades, não hesitou em janeiro e investiu apenas 300 mil euros para tirar Cissokho do Sado. Uma ninharia para quem estava desesperado por um lateral esquerdo após os falhanços de Lino, Leandro, Nelson Benítez e Marek Cech.
Sob o comando de Jesualdo Ferreira, o jovem francês de origem senegalesa rapidamente se afirmou no onze titular portista. Não se intimidou nos grandes palcos europeus, enfrentando gigantes como Atlético de Madrid e Manchester United. Foi precisamente em Old Trafford que protagonizou um duelo memorável com Cristiano Ronaldo, anulando completamente o craque português numa noite que ficou para a história.
A vingança de CR7 chegaria na semana seguinte, com aquele golo do meio da rua que ainda hoje assombra os adeptos portistas. Mas o mal estava feito: Cissokho tinha mostrado ao mundo do futebol que valia ouro.
O negócio do século
Meia época no FC Porto foi suficiente para Cissokho conquistar o campeonato nacional e a Taça de Portugal. Mas o mais impressionante estava por vir. O Lyon não pensou duas vezes e desembolsou 15 milhões de euros pelo lateral. O FC Porto tinha acabado de fazer o negócio da década: um lucro 500 vezes superior ao investimento inicial.
Esta é a realidade crua do futebol moderno: os pequenos clubes servem de viveiro para os grandes, que depois vendem aos gigantes europeus por valores astronómicos. O Vitória de Setúbal formou e lançou o jogador, mas quem lucrou foram os dragões.
Curiosamente, antes do Lyon, o AC Milan chegou mesmo a anunciar Cissokho como reforço, mas voltou atrás por causa de um problema dentário. Até os problemas de saúde se tornaram negócio no futebol.
O percurso de um nómada do futebol
A partir do Lyon, Cissokho tornou-se num autêntico nómada do futebol europeu. Três temporadas em França renderam-lhe uma Supertaça e uma Taça de França. Seguiu-se uma passagem pelo Valencia, depois Liverpool, onde nunca convenceu verdadeiramente, e Aston Villa.
O regresso ao FC Porto, anos depois, foi um anticlímax. Apenas três jogos confirmaram que já não era o mesmo jogador. A Grécia, a Turquia e, finalmente, a Tailândia, onde aos 38 anos ainda se mantém ativo, bem longe dos holofotes que um dia o iluminaram.
A história de Cissokho é emblemática de um sistema que transforma jovens talentos em mercadoria. Do Sado aos grandes palcos europeus, o lateral francês viveu o sonho de muitos, mas também ilustra como o futebol se tornou um negócio onde os pequenos alimentam os grandes, e estes vendem aos gigantes por fortunas.
Hoje, nas redes sociais, Cissokho partilha memórias de tempos áureos, mas a sua história fica como exemplo de como um investimento de 300 mil euros se pode transformar em 15 milhões. No futebol moderno, isso chama-se simplesmente negócio.