Paredes de Coura 2026: o festival que os espanhóis roubaram aos portugueses
O Festival de Paredes de Coura arrancou esta quarta-feira com uma verdadeira invasão pacífica: os espanhóis são legião entre os festivaleiros e explicam por que razão trocam os grandes festivais de Espanha por esta vila minhota. Entre banhos no rio e concertos de qualidade, a edição de 2026 promete ser uma das mais concorridas de sempre.
Um começo ao som de jazz-rock e com o rio como cenário
Faltava um quarto para as cinco da tarde quando os portugueses Miramar, banda dos guitarristas Frankie Chavez e Peixe, deram o pontapé de saída na maratona de concertos nos dois palcos principais. Eram poucas dezenas os que se juntaram para ouvir o jazz-rock que abriu o palco Coura sem Paredes. A essa hora, a maioria dos festivaleiros ainda descansava nos relvados e na água do rio Coura, uma das imagens mais fiéis do ambiente que se vive na vila minhota.
Estudantes do Porto à descoberta: “Diziam maravilhas”
Renata e Mariana, duas estudantes do Porto de 19 anos, chegaram esta quarta-feira a Coura pela primeira vez. “Viemos depois de amigos nos dizerem que era muito bom, contavam maravilhas”, explica Renata. Preferiram vir sozinhas em vez de se juntarem a um grupo. “Está a corresponder totalmente, para já. Poder estar no rio é excelente e o ambiente aqui é todo muito empático”, diz Mariana. Ambas confessam que pouco conhecem do cartaz deste ano, que tem como artistas centrais Underworld, Kneecap, Bloc Party, Benjamin Clementine e M.I.A. “É para descobrir”.
Galegos em peso: “Para um galego é perfeito”
No palco Vodafone, os britânicos Westside Cowboy deram os sons inaugurais com o seu indie-rock com perfume folk, perante já largas centenas de pessoas, entre as quais Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves, a dupla que encabeça a banda portuguesa Clã. O quarteto de Manchester, que edita este mês o seu primeiro álbum, conquistou a plateia vespertina no anfiteatro de relva com uma atuação empenhada.
Micael, um galego de 31 anos, e um grupo de sete amigos de várias localidades da Galiza repousavam calmamente na frescura verde junto ao rio. São um bom exemplo do público deste festival. “Vim há cinco anos pela primeira, só uma noite. Passei a estar aqui todos os anos nos quatro dias do festival”, contou, enquanto apontava para amigos que se estreavam. “Vem sempre gente nova e, em anos anteriores, já conheci aqui vários espanhóis”.
Para Micael, Coura é paragem obrigatória. “É mais barato que os grandes festivais em Espanha, é um sítio muito bonito e os concertos são sempre muito bons. Por isso, está no nosso top. Para um galego é perfeito”, resumiu.
Eclipse solar e Salvador Sobral marcam a primeira noite
Com a hora do eclipse solar a chegar e já depois do norte-americano Greg Allman apresentar o seu indie-rock/americana, foi a vez dos Last Breath After Coma subirem ao palco principal acompanhados por Salvador Sobral, na primeira do que parecem ser quatro presenças do cantor que venceu o Festival da Eurovisão. Quinta-feira estará no Jazz na Relva, sexta atua com os Noko Woi e também era dada como provável a ida ao palco com os Capitão Fausto, mais logo.
A primeira noite do Festival Paredes de Coura conta ainda com espetáculos de CMAT, Wet Leg e Kneecap, no palco maior, e apostas em Horsegirl, The Horrors, Getdown Services e University, no palco secundário.
O que se segue nos quatro dias de festival
Os horários para os quatro dias do festival estão disponíveis no site oficial. Com um cartaz que mistura nomes consagrados e apostas emergentes, Coura continua a afirmar-se como um dos festivais mais carismáticos do país, onde a música e a natureza andam de mãos dadas.
Foto: EPA