Benjamim regressa às origens com “Crónicas do Monte Zeus”: um disco despido, feito à guitarra e longe das máquinas
O músico Benjamim, nome artístico de Luís Nunes, edita esta sexta-feira o quinto álbum de originais, “Crónicas do Monte Zeus”. Um regresso à simplicidade, à canção despida, à guitarra e aos amigos numa sala, longe das produções complexas e dos sintetizadores que marcaram os últimos trabalhos. Pela primeira vez, partilha a produção, num disco que quer levar a clubes de norte a sul do país, de Barreiro a Freamunde, porque a música, diz, “é suposto irmos de terra em terra a tocar e levar a música às pessoas”.
Um disco que nasce da necessidade de voltar ao essencial
Depois de anos a explorar os limites da canção, incluindo um single instrumental de seis minutos, Benjamim sentiu o peso da máquina. “A minha banda ao vivo é uma estrutura muito grande, muitos teclados, muita guitarra, muita tralha”, confessou em entrevista à Lusa. “Houve um processo de esgotamento mesmo, de cansaço. Já não quero fazer isto assim. Tenho saudades de agarrar na guitarra e tocar. Um, dois, três, quatro a tocar.”
“Crónicas do Monte Zeus” é, por isso, um regresso às origens, aos primeiros discos que editou, “que eram discos de canções”. “Acho que é o formato que mais condiz comigo”, sublinhou. O novo trabalho junta oito canções, todas diferentes, “sobre coisas diferentes, sobre espíritos diferentes, mas que acabam por ter muita coisa em comum”.
Canções como registos arqueológicos de uma vida em transição
Benjamim descreve as canções do álbum como “uma espécie de registos quase arqueológicos, recentes, de fases da minha vida, de transição também a nível pessoal”. “Houve grandes momentos de transição na minha vida. Esta fase começou há uns dois anos e fui colecionando canções”, partilhou. O alinhamento foi pensado para contar uma história, mas cada canção foi feita para sobreviver sozinha.
As letras refletem sobre a carreira do músico, com “muita reflexão, muito irónica também”. “A ideia do trabalho está muito presente no disco, e a ideia do amor. E a ideia de que o amor dá trabalho, porque na verdade tudo dá trabalho”, referiu.
Contra a inteligência artificial, a música como salvação
Viver numa época em que qualquer pessoa pode criar canções com recurso à inteligência artificial fez Benjamim pensar no seu próprio lugar. “A ideia de carreira, de chegar aos 40 e ‘o que é que eu vou fazer’. Todas as notícias que ouvimos, o mundo a implodir”, disse. E a resposta encontrou-a na música: “A música salva-nos, porque a música deixa-me extremamente feliz. É o sítio para onde sempre fugi toda a minha vida. Seja dos problemas, porque queria viajar, ou à noite, quando não conseguia dormir.”
Produção partilhada: a amizade como método
Pela primeira vez, Benjamim dividiu a produção do disco com João Correia, músico da sua banda e companheiro de longa data. “É a pessoa com quem toco há mais tempo, temos uma cumplicidade e uma amizade muito forte. Somos os dois muito teimosos, muito decididos, com opiniões muito vincadas”, contou. “Eu tinha saudades de estar com alguém no estúdio e haver essa tensão da decisão.”
Para Benjamim, partilhar a produção “traz muita dúvida, mas certeza também, traz outras soluções, a experimentação, a descoberta, a viagem, a amizade, as conversas, os almoços, os jantares, sair do estúdio às duas da manhã completamente de rastos”. “Acho que a música ganha quando há mais ideias, mas tem de haver uma relação muito especial entre essas duas pessoas, pessoalmente e criativamente”, acrescentou.
Uma digressão em clubes, uma questão de militância
O álbum será apresentado ao vivo numa digressão em clubes, que começa a 17 de outubro no Barreiro (Sala 6) e passa por Coimbra (06 de novembro, Salão Brazil), Lisboa (12 de novembro, Lux), Porto (14 de novembro, Plano B), Leiria (21 de novembro, Texas Club) e Freamunde (28 de novembro, Route 66).
A escolha de salas pequenas não é apenas estética. “É também uma questão de militância, de querer cultivar uma espécie de um circuito”, explicou. Benjamim quer proximidade com o público. “Tenho saudades de acabar o concerto, sair do palco e as pessoas estarem ali e virem ter connosco dizer que gostaram do disco e do concerto, ou não gostaram. A ideia da música é ir tocar a Freamunde, a Coimbra, ao Porto, Lisboa, ao Barreiro, a Leiria, todos os sítios onde nós vamos. É isso que a música é suposto fazer. É suposto irmos de terra em terra a tocar e levar a música às pessoas.”
Em palco, além de Benjamim, estarão os músicos João Correia, Nuno Lucas e Ricardo Velhote do Carmo.
O que esperar de “Crónicas do Monte Zeus”?
Um disco despido, feito à guitarra, com canções que falam de amor, trabalho e transições. Um regresso às origens, mas com a experiência de quem já explorou muitos caminhos. E uma digressão que promete aproximar o artista do público, em salas onde a música se sente na pele.
Perguntas frequentes sobre o novo álbum de Benjamim
Quando é editado “Crónicas do Monte Zeus”?
O álbum é editado esta sexta-feira, 18 de setembro, em formato digital e físico.
Quantas canções tem o novo disco de Benjamim?
O álbum tem oito canções, todas diferentes entre si, mas com pontos em comum.
Onde posso ver Benjamim ao vivo?
A digressão passa por Barreiro, Coimbra, Lisboa, Porto, Leiria e Freamunde, entre outubro e novembro.