No Chiado, um menu de verão que junta Portugal, Brasil e França numa luta contra o esquecimento
No coração do Chiado, o restaurante Cícero não é apenas um templo de fine dining. É uma trincheira de sabores e de histórias. Com dezenas de obras de arte expostas nas paredes, o espaço homenageia o modernista Cícero Dias. Mas o que realmente importa é o que se põe no prato. O novo menu de verão, batizado Coleção Verão 2026, é uma viagem que cruza três continentes: Portugal, Brasil e França. E tudo começa com uma história de resistência e paixão.
O chef que fugiu à economia para abraçar os temperos
Felipe Neves, chef executivo do Cícero, não seguiu o caminho mais óbvio. Formou-se em Economia, mas a cozinha chamou-o. A tradição dos almoços de domingo em família, com boa comida, risos e música alta, moldou o seu paladar. A pandemia atrasou-lhe os planos, mas não lhe roubou o sonho. Em 2020, estagiou no Noma, na Dinamarca, várias vezes eleito o melhor restaurante do mundo. Foram três semanas intensivas que lhe despertaram uma paixão: as fermentações. Hoje, esse é um dos pilares do que se serve à mesa no Cícero.
Ao seu lado, a chef Alessandra Montagne, que lidera o Muses, o restaurante do Museu do Louvre, em Paris. A origem brasileira de ambos e a localização lisboeta do Cícero criam uma inspiração tríptica. França, Brasil e Portugal encontram-se em cada prato. Não é só comida. É uma declaração de princípios.
Um menu que é um manifesto contra a banalidade
O novo menu de verão chega a bom ritmo. Arranca com as boas-vindas do chef: um pastel de nata salgado de couve-flor e um crocante de parmesão com massa filo e recheio de mortadela. Uma piscadela de olho à tradicional sandes de pernil de São Paulo. Depois, os snacks chegam em tripla: biscoito de polvilho com pó de beterraba, travesseiro de arroz estaladiço e beignet com recheio de castanha do Pará, ovas e pó de açaí.
Nas entradas, a gamba da costa algarvia surge em duas texturas, crua e frita, com espuma de água de tomate. Há também a bifana de massa choux com porco preto desfiado, geleia de pimentos fumados e pó de jambu. As ostras do Sado emparelham com kimchi e framboesa. Nos principais, o peixe do dia, a corvina, vem com meloa e koji, salada de funcho, molho holandês e beurre blanc. O lombo de novilho com trufa negra e batata, o borrego de sol com esparregado de espinafre fermentado e a cevada, num quase risoto cremoso com espuma de cenoura, fecham o leque.
Nos doces, o chocolate aparece em várias texturas, com praliné de avelã, pós de coentros, beterraba e maracujá. E as telhas de biscoito, creme de baunilha, coulis de morango fermentado e geleia de gengibre. Para beber, a garrafeira tem mais de meia centena de rótulos nacionais, de norte a sul e ilhas.
O preço da resistência
O menu de degustação de 9 momentos custa 115 euros, sem vinhos. Há versão vegetariana a 95 euros e um menu mais curto, o Promenade Cícero, a 85 euros. Não é para todos os bolsos, mas é uma experiência que vale cada cêntimo. O Cícero abre de terça a sábado, das 19h às 23h. Fica na Rua dos Duques de Bragança, 5H, em Lisboa. O telefone é 966 913 699. O site é cicerobistrot.pt.
FAQ
O que torna o menu de verão do Cícero especial?
O menu cruza técnicas e sabores de Portugal, Brasil e França, com destaque para as fermentações e o uso de produto de época.
Quem são os chefs do Cícero?
Felipe Neves, chef executivo, e Alessandra Montagne, que também lidera o Muses, no Louvre. Ambos são brasileiros.
Quanto custa uma refeição no Cícero?
O menu de degustação de 9 momentos custa 115 euros, sem vinhos. A versão vegetariana custa 95 euros e o menu curto, 85 euros.