O Mosteiro de Odivelas recebe até 18 de outubro a iniciativa «Odivelas Conventual - Doçaria no Mosteiro», um evento de entrada livre que junta mais de 30 produtores de doçaria conventual e tradicional de todo o país e que tem como grande estrela a Marmelada Branca de Odivelas, produto certificado com Indicação Geográfica Protegida e com mais de 700 anos de história.
A festa, que começou no dia 16 de outubro e decorre nos claustros e no refeitório das alunas, abrange produtores de 20 concelhos e oito pastelarias e produtores locais, segundo a reportagem da SIC Notícias. É a primeira vez que o concelho organiza um encontro dedicado a este património doce que nasceu entre as paredes góticas do Mosteiro de São Dinis e São Bernardo.
Como nasceu a Marmelada Branca de Odivelas
Às portas de Lisboa, o Mosteiro de São Dinis e São Bernardo de Odivelas é um monumento gótico do final do século XIII, mandado edificar pelo rei D. Dinis. É na igreja que se encontra a arca tumular do monarca. Na visita, podem contemplar-se os claustros medievais, o refeitório das monjas e a Cozinha Antiga, com a sua chaminé imponente e uma mesa em mármore.
Foi ali, pelas mãos das monjas Bernardas da Ordem de Cister, a quem o mosteiro foi doado, que terá nascido a Marmelada Branca de Odivelas. Sete séculos depois, a receita continua viva e certificado em mãos: a Indicação Geográfica Protegida assegura a autenticidade, a origem e a qualidade do produto.
«Esta certificação reconhece-a como um produto de excelência ligado ao território e a um saber-fazer específico, impossível de replicar fora do concelho com as mesmas características», descreve a Câmara Municipal de Odivelas.
Porque é branca esta marmelada?
Obtida exclusivamente da cozedura do mesocarpo do marmelo com açúcar branco, água e sumo de limão, esta marmelada distingue-se pela cor clara, ao contrário das marmeladas tradicionais, mais acastanhadas ou avermelhadas.
A brancura é conseguida com técnicas específicas. Segundo a apresentação oficial do produto, os marmelos são tratados logo após o descasque para evitar a oxidação, ou imersos em água com limão para reduzir a ação enzimática que escurece o fruto. A proporção elevada de açúcar também entra no processo, bem como o trabalho manual de mexer a mistura até atingir a textura e a cor desejadas.
A certificação refere ainda a existência de tachos e formas datados de há mais de 100 anos, que continuam a ser a base dos moldes de alguns formatos. Os tachos de cobre são tradicionais na confeção por garantirem uma distribuição uniforme do calor, essencial para atingir o ponto ideal de cozedura sem queimar a polpa.
Um «Manjar do Amor» ilustrado com poesia
Mais recentemente, e associada às celebrações do Dia dos Namorados, a Marmelada Branca de Odivelas ganhou uma imagem renovada sob o lema «Manjar do Amor». As embalagens passaram a estar ilustradas com poemas de escritores portugueses, juntando numa só embalagem o doce conventual e a palavra escrita.
Preparada com marmelos de grande qualidade e através de um processo artesanal que lhe garante o tom claro e o sabor subtil, tornou-se um ícone da doçaria tradicional de Odivelas.
Quem defende a receita e quem a confecciona hoje
O evento tem, segundo a autarquia, um propósito que vai além do paladar.
«Tem por propósito a celebração da gastronomia, enquanto património cultural, mas em particular a celebração e reivindicação da gastronomia como um legado que também é de Odivelas», justifica Ana Isabel Gomes, vereadora da Cultura e do Turismo da Câmara Municipal de Odivelas.
Um dos locais que ainda preserva a confeção tradicional é a Pastelaria Viriato, um espaço com mais de 30 anos de história. São casas como esta, e não as cadeias industriais, que mantêm vivo um saber-fazer que atravessou séculos sem perder a identidade. Quem quiser comprar Marmelada Branca de Odivelas devidamente certificada pode consultar a página oficial da Câmara Municipal de Odivelas.
Num tempo em que os produtos locais andam cada vez mais pressionados pela distribuição massificada, a Marmelada Branca de Odivelas mostra o que vale a certificação: um produto que pertence a um território e às pessoas que lá trabalham, e que não se copia. O mosteiro continua de pé, e a receita também.
Perguntas frequentes
Onde se realiza o evento «Odivelas Conventual - Doçaria no Mosteiro»?
Nos claustros e no refeitório das alunas do Mosteiro de São Dinis e São Bernardo de Odivelas, entre 16 e 18 de outubro, com entrada livre.
Desde quando existe a Marmelada Branca de Odivelas?
A tradição tem mais de 700 anos e terá nascido na Cozinha Antiga do mosteiro, pelas mãos das monjas Bernardas da Ordem de Cister.
O que é a certificação de Indicação Geográfica Protegida?
É um selo europeu que assegura a autenticidade, a origem e a qualidade de um produto, reconhecendo-o como ligado a um território e a um saber-fazer específico.
