O banho muito quente é um dos principais responsáveis pela pele seca e pela comichão nas pernas a partir dos 60 anos, segundo um artigo de saúde publicado pelo SAPO a 17 de outubro de 2026. Num país onde muitos idosos vivem com reformas baixas e contas apertadas, o problema é mais do que uma curiosidade dermatológica: é mais uma despesa com cremes e consultas que pesa nos orçamentos das famílias.
A verdade é simples e desagradável: aquele chuveiro a ferver que cura o frio dos ossos está a estragar a pele, sobretudo em quem já tem a pele mais fina e menos gordurosa, algo que acontece naturalmente com a idade. E a comichão que daí resulta, a chamada comichão de Inverno, chega a ser intensa ao ponto de acordar as pessoas de noite.
O que a água quente retira à pele
A camada mais superficial da pele tem uma película de lípidos que retém a água por dentro e mantém as agressões do lado de fora. É uma barreira humilde, mas faz um trabalho essencial.
A água muito quente dissolve essa película. O detergente do gel de banho faz o mesmo. O resultado é pele seca, repuxada, que descama e que dá comichão, sobretudo nas pernas e nos braços.
Qual é a temperatura ideal para o banho
O ideal anda pela água morna, à volta dos 37 graus. Parece pouco quando se está com frio, mas é o suficiente para o corpo.
O tempo conta tanto como a temperatura. Cinco a dez minutos chegam. Vinte minutos debaixo do chuveiro quente, todos os dias, são garantia de pele estragada em Janeiro.
Quem tem diabetes ou perda de sensibilidade nos pés deve testar a água com o cotovelo ou com um termómetro, porque as queimaduras nestes casos acontecem sem aviso. É um detalhe que vale ouro para quem já não sente o calor como sentia antes.
O que usar e o que evitar no Inverno
As recomendações do SAPO são práticas e não custam dinheiro a ninguém seguir:
- Gel de banho suave, sem sabão e com pH próximo do da pele.
- Evitar esponjas ásperas, luvas de crina e esfoliantes no Inverno.
- Lavar com sabão apenas onde é preciso, que não é o corpo inteiro todos os dias.
- Secar dando pequenas palmadas com a toalha, sem esfregar.
- Não usar água a ferver na cara, que é onde a pele é mais fina.
Os três minutos que contam depois do banho
O creme hidratante deve ser aplicado com a pele ainda ligeiramente húmida, nos três minutos seguintes ao banho. É nesse intervalo que retém a água que ficou na pele.
Aplicado em pele completamente seca, meia hora depois, tem bastante menos efeito. Ou seja, não adianta gastar dinheiro em cremes caros se depois se deixa passar o momento certo.
Para pele muito seca, os produtos mais gordos, em creme ou pomada, funcionam melhor do que os leites e as loções ligeiras, embora sejam menos agradáveis de espalhar. Para quem conta os cêntimos, esta é também a boa notícia: os cremes gordos costumam ser mais baratos do que as loções perfumadas das grandes marcas.
O banho de imersão está proibido?
Não está, e é dos melhores prazeres do Inverno. As regras são água morna e não a ferver, menos de vinte minutos, e um óleo de banho em vez de espuma perfumada, que é sobretudo detergente.
Quem tem tensão baixa, problemas cardíacos ou toma medicação que provoca tonturas deve ter cuidado ao sair, porque o calor dilata os vasos e a tensão cai. Sair devagar e ter apoio para as mãos evita sustos.
Quando a comichão não é da pele seca
Aqui está talvez o aviso mais importante de todos, e aquele que mais diz respeito a um sistema de saúde que tende a despachar os idosos com uma receita em vez de uma investigação.
Se a pele não estiver seca ao toque, se a comichão for generalizada e persistente, ou se aparecer de noite sem lesões visíveis, convém investigar. Problemas de fígado, de rins, de tiróide, anemia e alguns medicamentos provocam comichão sem qualquer alteração visível da pele.
E é dos sintomas que mais tempo passa a ser tratado com cremes quando devia estar a ser investigado com análises. Quantas pessoas idosas andam meses a comprar hidratantes quando o que precisam é de um exame ao sangue? A resposta, para quem conhece as filas nos centros de saúde, é perturbadora.
Um sintoma que se resolve com um tubo de creme é barato. Um sintoma que esconde um problema de rins ou de fígado exige consultas, análises e tempo de profissionais. Numa saúde pública asfixiada, a pressão para escolher o caminho do creme existe, mesmo que ninguém a escreva em documento nenhum.
Para já, o conselho é simples: água morna, banho curto, creme nos primeiros três minutos. E se a comichão persistir sem pele seca visível, não aceitar um creme como resposta única. Exigir análise.
Perguntas frequentes
Que temperatura deve ter a água do duche no Inverno?
Cerca de 37 graus, segundo o SAPO. Parece poco quente num dia frio, mas é o suficiente para o corpo e evita destruir a película de lípidos que protege a pele.
Quanto tempo deve durar um duche?
Cinco a dez minutos. Vinte minutos diários debaixo de água muito quente são, segundo a mesma fonte, garantia de pele estragada em Janeiro.
Quando se deve aplicar o creme hidratante?
Nos três minutos seguintes ao banho, com a pele ainda ligeiramente húmida. É nesse intervalo que o produto retém a água que ficou na pele.
A comichão pode ter outra causa que não a pele seca?
Sim. Problemas de fígado, de rins, de tiróide, anemia e alguns medicamentos provocam comichão sem alterações visíveis da pele, pelo que convém investigar com análises se o sintoma persistir.
