Os cinco maiores bancos norte-americanos faturaram mais de 44,61 mil milhões de euros em mercados de capitais no terceiro trimestre de 2026, um crescimento homólogo de 15% que a agência de rating Morningstar DBRS atribui ao apetite pelo risco, aos investimentos ligados à inteligência artificial e aos mercados de financiamento ativos. Os resultados foram divulgados esta semana e noticiados pela SAPO.
JPMorgan, Bank of America, Citigroup, Morgan Stanley e Goldman Sachs apresentaram todos subidas do lucro a dois dígitos face ao mesmo período do ano passado, à exceção do Bank of America, penalizado por uma coima superior a mil milhões de euros. Enquanto as famílias europeias apertam os cintos, a finança americana faz anos de ouro, alimentada pela febre da IA.
IA e apetite pelo risco sustentam a festa nos mercados
A DBRS analisou os resultados das cinco instituições e não deixa dúvidas sobre o motor deste crescimento. As necessidades de financiamento das infraestruturas de inteligência artificial continuam a impulsionar as atividades de consultoria, subscrição, capital privado, crédito e mercados.
Um forte apetite pelo risco, os investimentos relacionados com a IA e os mercados de financiamento ativos sustentaram o desempenho em julho e agosto, disse a agência. Mas setembro trouxe sinais de alarme: as taxas de referência mais elevadas, o aumento dos preços da energia e a renovada incerteza geopolítica abrandaram a atividade e levaram emitentes e investidores a rever as avaliações e o calendário de execução.
A própria agência reconhece as fragilidades por trás dos números brilhantes. As equipas de gestão dos bancos salientaram a incerteza em torno da viabilidade económica dos projetos de IA, da disponibilidade de energia, das taxas de juro e do ritmo a que a oferta e a procura de capacidade computacional poderão reequilibrar-se, segundo a DBRS.
Ouro nas ações, vento contrário nas obrigações
As receitas de vendas e negociação de ações dispararam 37% face ao ano anterior, embora tenham caído em cadeia, o que a DBRS considera esperado. Goldman Sachs, JPMorgan e Morgan Stanley reportaram aumentos particularmente fortes, e as administrações garantem que esta melhoria é estrutural e não cíclica.
Do lado do rendimento fixo, o cenário é bem diferente. As receitas baixaram 4% em média face ao mesmo período de 2025, com o Citigroup a registar o único crescimento homólogo e o Goldman Sachs a manter-se estável. O financiamento de produtos cambiais e de spread revelou-se resiliente, enquanto os produtos de taxas de juro, crédito, matérias-primas, hipotecas e produtos titularizados apresentaram resultados mais variados.
Na banca de investimento, as receitas totais subiram 9% em relação ao ano anterior, com a consultoria a destacar-se graças à atividade de fusões e aquisições. A subscrição de ações teve um desempenho sólido e a de dívida manteve-se estável.
Quem paga a conta da especulação?
Atrás destes lucros milionários esconde-se um problema que os relatórios de rating raramente confrontam. A dívida pública mundial vai chegar a 100% do PIB até 2029, segundo o aviso recente do FMI, e grande parte dessa dívida alimenta precisamente os mercados onde os bancos agora faturam.
A Ásia continuou a ser uma importante fonte de crescimento dos negócios de corretagem, derivados e liquidez, nota a DBRS. Os saldos da corretagem de primeira linha e a procura de financiamento sustentaram os resultados do trimestre que fechou no final de setembro.
Os próprios bancos admitem que estão a andar em arame: estão a equilibrar as oportunidades de receitas com a disciplina de subscrição, os limites de concentração em emitentes individuais e temáticos, a análise de garantias e os testes de stress a nível empresarial, explica a agência de rating.
Perspetivas favoráveis, mas menos certas
Para o último trimestre de 2026, a DBRS considera que as perspetivas de curto prazo são favoráveis, mas menos certas do que em meados do ano. A carteira de projetos mantém-se sólida e diversificada em termos de produtos, setores e regiões, o que é um bom presságio para os resultados futuros, prevê a agência.
No entanto, os ventos contrários acumulam-se: taxas de juro de longo prazo mais elevadas, volatilidade geopolítica e do mercado energético, possíveis discrepâncias nas avaliações dos emitentes e a sazonalidade típica do quarto trimestre.
Enquanto isso, do outro lado do balcão, os trabalhadores e as famílias continuam a pagar juros mais altos e a ver os salários corroídos pela inflação. A expansão contínua dos negócios de ações que marcou o trimestre é boa notícia para os acionistas dos bancos; para quem vive do trabalho, a questão é saber quando é que esta riqueza especulativa chegará aos bolsos de quem a produz.
Perguntas frequentes
Quanto cresceram as receitas de mercados de capitais dos bancos americanos?
Cresceram 15% em termos homólogos no terceiro trimestre de 2026, para mais de 44,61 mil milhões de euros, segundo a Morningstar DBRS.
Quais bancos foram analisados pela DBRS?
JPMorgan, Bank of America, Citigroup, Morgan Stanley e Goldman Sachs.
O que explica este crescimento dos lucros bancários?
A DBRS aponta o apetite pelo risco, os investimentos ligados à inteligência artificial e os mercados de financiamento ativos, além do forte desempenho das ações, que subiram 37%.
