O argentino Brian Fernández, de 32 anos, abriu o coração numa entrevista ao youtuber Joaco Santos, divulgada esta quinta-feira, 16 de outubro, segundo o SAPO. O avançado, sem clube desde que passou pelo Talleres de Remedios Escalada em 2025, falou pela primeira vez em detalhe sobre o consumo de drogas, um episódio com armas que quase acabou em tragédia e as duas vezes que disse não a Diego Maradona.
É a história de um homem que teve tudo para ser uma estrela do futebol e que, por escolhas próprias, como ele próprio admite, viu a carreira desabar. Uma história que fala também de bairros pobres, de revólveres e de sonhos que se pagam caro.
A noite em que quase morreu no bairro
O momento mais duro do relato tem a ver com um cruzamento com adeptos de um clube rival num bairro de Santa Fé. Fernández andava armado nesse dia.
“Essa foi a vez em que estive mais perto da morte ou de poder matar alguém”, disse o jogador, recordando que levava um revólver consigo mas decidiu não o usar.
“Fui para perder, parecia de propósito. Quis ir conhecer e acabei por conhecer mal. Quase me apanharam a tiro. Eu andava com um revólver naquele dia, mas decidi não usar nada.”
Fernández contou que lhe tiraram a camisola, apanhou as suas coisas, entrou no carro e foi-se embora. Insiste que não foi roubado e que passou por covarde por respeito ao bairro e por estar acompanhado de uma pessoa a quem prometera não fazer nada.
“Não me roubaste nada, meu. Não te saiu bem. Passei mesmo por uma situação de merda”, resumiu.
Como o amor ao Colón arruinou uma carreira de 15 milhões de dólares
Fernández esteve no Portland Timbers, nos Estados Unidos, onde era o jogador-símbolo e o melhor pago do plantel. O clube pagou 15 milhões de dólares pela sua transferência e ofereceu-lhe um contrato de quatro anos. Mas o coração mandava noutro sentido.
Queria ver a final da Copa Sul-Americana do Colón, o clube da sua vida, no Paraguai. Apanhou um avião e deixou tudo para trás.
“Não cheguei à final, rescindiram-me o contrato e acabei por jogar no Colón, realizando um sonho; marquei um golo, mas não consegui o que tanto queria. Foram três anos em que tentei e tentei, mas não consegui avançar.”
Depois de Portland, surgiu uma proposta da Arábia Saudita, mas Fernández estava, nas suas palavras, cego pelo Colón. Não deu ouvidos ao empresário, Bragarnik, e hoje admite que aquela recusa lhe custou a carreira e a vida.
“Decidi seguir o caminho do problema, é assim que me sinto. Todas as noites fico a remoer e a pensar no que teria acontecido. Mas toda a gente se cansa”, confessou.
Aqui está o retrato cru do que é crescer sem redes de proteção. Um rapaz de bairro que chega ao topo e que, quando tudo desmorona, não tem ninguém a segurá-lo. Nas ligas onde Fernández jogou, como em boa parte da América Latina, o jogador fica muitas vezes sozinho perante os problemas, como se debate em questões de integridade desportiva na América Latina.
Quem é que diz não a Maradona?
Das muitas histórias da entrevista, a mais surpreendente é a das duas recusas a Diego Maradona. Fernández garante ser “o único na terra” que lhe disse não.
Maradona queria-o no Dorados de Sinaloa, no México, e depois no Gimnasia La Plata. Ligou ao jogador, ao empresário, a toda a gente. Fernández recusou sempre.
“O Gordo estava zangado, ha. ‘Ei, não te zangues, Gordo’. O que é que tem o facto de ser o Maradona? Respeito-o, adoro-o e tudo mais, mas não queria jogar lá.”
Na primeira ocasião, Fernández estava no Necaxa e ia para os Estados Unidos. Não quis ir para Sinaloa. Na segunda, queria jogar no Colón, não no Gimnasia.
Cara a cara com Ibrahimovic na MLS
Há também espaço para humor na conversa. Fernández recordou um confronto com Zlatan Ibrahimovic na Major League Soccer, quando o seu equipa ganhava por 3-1.
“Diz aos teus colegas que vamos dar-lhes uma sova e a ti também”, disse-lhe o sueco, que queria dar uma sova a todos.
Fernández perguntou o que lhe diziam a ele, e Ibrahimovic ficou cara a cara.
“Não consegui dizer nada, ele ficou ali à minha frente e eu borrei-me, meu. Não sabia o que aquele maluco me ia dizer. Falou comigo em espanhol”, contou, com gargalhadas.
No fim do jogo, Ibrahimovic deu-lhe a camisola. “Por seres respeitoso”, explicou o sueco.
Sem clube desde 2025, mas com esperança de voltar
Fernández não joga futebol profissional desde 2025, quando representou o Talleres de Remedios Escalada, na Argentina. As polémicas acumularam-se ao longo dos anos: consumos de drogas, problemas disciplinares nos clubes por onde passou e até uma semana em que esteve desaparecido, sem que ninguém soubesse do seu paradeiro.
Agora, aos 32 anos, quer voltar a competir. A entrevista ao youtuber Joaco Santos surge como uma espécie de acerto de contas com o passado, feito em público e sem filtros.
Perguntas frequentes
Quem é Brian Fernández?
Brian Fernández é um futebolista argentino de 32 anos, avançado, que passou por clubes como o Portland Timbers, o Colón de Santa Fé e o Necaxa. Está sem clube desde 2025.
Porque é que Brian Fernández recusou Maradona?
Segundo contou ao youtuber Joaco Santos, recusou o Dorados de Sinaloa porque estava no Necaxa e ia para os Estados Unidos, e o Gimnasia La Plata porque queria jogar no Colón, o clube do seu coração.
O que aconteceu com as armas que Brian Fernández referiu?
Fernández contou que andava com um revólver num encontro com adeptos rivais num bairro de Santa Fé, mas decidiu não usar a arma. Descreveu aquele episódio como a vez em que esteve mais perto da morte ou de matar alguém.
Brian Fernández ainda vai voltar a jogar?
O jogador disse na entrevista que quer regressar ao futebol profissional, apesar de estar parado desde a passagem pelo Talleres de Remedios Escalada em 2025.
