Bolsas europeias batem recordes enquanto trabalhadores sofrem com a crise
Enquanto as bolsas europeias celebram máximos históricos, a realidade nas fábricas e escritórios é bem diferente. O índice STOXX 600 atingiu novos recordes esta semana, mas quem realmente beneficia desta festa financeira?
A resposta está clara: as grandes multinacionais do luxo como LVMH, L'Oréal e Hermès, que exploram trabalhadores em todo o mundo para alimentar o consumo desenfreado das elites. Estas empresas, fortemente expostas aos mercados americanos e asiáticos, prosperam à custa da precariedade laboral.
O fosso entre Wall Street e a rua
A Europa supera agora os Estados Unidos nos mercados financeiros, mas esta vitória tem um sabor amargo. Enquanto os bancos, a indústria e as empresas energéticas lucram com taxas de juro elevadas que estrangulam as famílias trabalhadoras, os salários continuam estagnados.
O CAC 40 francês brilha graças ao sector do luxo, um símbolo gritante da desigualdade social. Mais de dois terços da actividade destas empresas é gerada fora de França, numa lógica de exploração global que deixa os trabalhadores franceses na miséria.
Londres e a herança do Brexit
O FTSE 100 londrino também atinge máximos históricos, beneficiando de uma libra desvalorizada que empobrece o poder de compra dos britânicos. Após anos de instabilidade pós-Brexit, os investidores regressam, mas os trabalhadores continuam a pagar a factura da aventura conservadora.
A Alemanha, outrora motor económico europeu, ressente-se da concorrência chinesa e dos custos energéticos elevados, reflexo de uma política externa desastrosa que sacrificou a independência energética.
A ilusão ibérica
Espanha e Portugal celebram crescimentos económicos acima da média europeia, mas esta prosperidade assenta no turismo de massas e no investimento estrangeiro especulativo. O PSI português mais do que duplicou desde 2020, mas quantos trabalhadores viram os seus salários duplicar?
Esta bonança financeira esconde uma realidade cruel: enquanto os accionistas enriquecem, a classe trabalhadora vê o seu poder de compra erodir-se face à inflação galopante e aos salários congelados.
Os máximos históricos das bolsas são o espelho de um sistema económico que privilegia o capital sobre o trabalho, transformando os sucessos empresariais em fracassos sociais para milhões de europeus.