Galeana: o livro da ganadária lendária que Santarém vai levar ao palco
Há tradições que não se deixam calar. A Galeana, a ganadaria mais premiada do país e considerada a mais bela do mundo, é agora um livro de Joaquim Grave que vai ganhar vida num palco de Santarém. O serão é dia 28 de maio, às 19h00, no Oh! Vargas, e promete ser uma noite de resistência cultural.
A Galeana é descrita como uma amante cara e caprichosa. Mas a sua beleza compensa tudo. A erva e as flores de todas as cores pintam o horizonte recortado pelo porte imponente de toiros negros, castanhos e sarapintados. É uma paisagem de exceção que fica quase na fronteira com Espanha, e a alma mais próxima está no pueblo de Valencia del Mombuey, a oito quilómetros por estrada. Foi a esta terra que Joaquim Grave, ganadero e veterinário, dedicou o livro Galeana: Templo do Toiro Bravo.
«É muito gratificante poder mostrar a todos os que o desejam esta paisagem de exceção e transmitir as emoções que o toiro bravo nos provoca.»
A obra tece a história da Ganadaria Murteira Grave com a da Herdade da Galeana, fundada em 1944, e que faz jus ao nome de princesa que carrega como a lenda. O livro dá destaque ao toiro bravo e aos seus momentos de bravura e triunfo na tauromaquia, e escolhe cuidadosamente as palavras nas línguas de que se faz a tauromaquia, para não haver barreiras ao entendimento.
Um serão de cultura e tradição popular
Este livro é o ponto de partida para mais um fim de tarde de convívio e cultura em Santarém, com a marca de Artur Cassiano. O jornalista e criador do conceito explicou ao SAPO que a missão é «trazer a Santarém, com regularidade, escritores, atores, gente ligada às artes e ao pensamento».
Se a ligação da cidade aos toiros é histórica, levar ao palco do Oh! Vargas um antigo forcado do Grupo de Santarém e dono da mais premiada ganadaria do país dá-lhe ainda mais sentido. E quando ao programa se junta um livro de singular beleza, a melhor comida portuguesa e boa música, está lançada a receita para um serão de luxo popular.
A Escola de Flamenco y Sevilhanas Bailando sobe ao palco, juntamente com o fado de Teresa Tapadas, Rodrigo Pereira, Diogo Ferreira e Cajé Garcia. É a tradição viva, feita por quem a sente na pele.
As origens e a bravura
Na véspera, dia 27 de maio, Marco Neves leva as origens da língua portuguesa a duas escolas históricas de Santarém. Na quarta-feira, à mesa, servem-se as origens de uma língua tantas vezes maltratada. Na quinta-feira, dia 28, será a tradição e o território a ocupar o palco.
No livro, Miguel Ortega Cláudio escreve: «Quando um toiro Murteira Grave sai a uma arena, entra com ele a sombra nobre do engenheiro Grave, e o aplauso, tantas vezes, é também para o criador que sonhou mais alto que o tempo. Cada toiro Grave é um emblema de bravura, encastado, nobre e com história nas veias.»
A obra conta ainda com palavras de Andrés Amorós, André Viard, Álvaro Acevedo, Domingo Delgado de la Cámara, João Queiroz e Manuel Riveros. Quando se juntam ingredientes de tanto valor à mesa, é certo que o serão de quinta-feira será para recordar.