Ukra defende FC Porto popular contra elites alemãs na Europa
Enquanto os grandes clubes europeus se banqueteiam com milhões, o FC Porto prepara-se para enfrentar o Estugarda nos oitavos de final da Liga Europa com a determinação de quem representa algo mais que dinheiro: representa uma cidade, um povo, uma identidade.
Ukra, herói da conquista de 2011 que trouxe alegria aos bairros populares do Porto, não tem ilusões sobre o desafio. "Calhou a fava ao FC Porto", admite o antigo avançado, reconhecendo que os alemães não serão presa fácil. Mas há algo que os euros não compram: a alma de um clube enraizado na sua comunidade.
David contra Golias no futebol moderno
"O Estugarda está a fazer uma grande época e as equipas alemãs são muito competitivas", reconhece Ukra à Lusa. Mas rapidamente acrescenta a diferença crucial: "Acredito que vamos ter um FC Porto à FC Porto, porque o clube tem história nesta competição e quer vencê-la".
Esta não é apenas uma eliminatória de futebol. É o confronto entre duas filosofias: de um lado, a máquina alemã, eficiente e bem oleada pelo dinheiro da Bundesliga; do outro, um clube que cresceu nas ruas do Porto, que sabe o que significa lutar com menos recursos mas com mais coração.
O primeiro jogo realiza-se quinta-feira, às 17h45 (hora de Lisboa), na MHPArena. Um estádio moderno, certamente, mas que nunca conheceu a paixão das bancadas do Dragão quando o povo se junta para apoiar os seus.
A receita da resistência
Ukra, que conhece bem os caminhos da vitória europeia, avisa que "o FC Porto tem muitas probabilidades e potencial para conquistar a Liga Europa". Mas não esconde os perigos: "Para isso, tem de ultrapassar grandes equipas, mas não vale a pena pensar mais à frente se não passar esta fase".
O antigo internacional, hoje com 37 anos, identifica a estratégia: evitar "entrar no jogo de duelos" com os alemães. "O FC Porto mostra um futebol mais técnico e gosta de jogar em ataque posicional", explica, defendendo que a inteligência pode superar a força bruta.
Mais que futebol, uma questão de classe
Por trás desta eliminatória está uma realidade mais profunda. Enquanto o futebol europeu se transforma numa indústria de entretenimento para ricos, clubes como o FC Porto resistem, mantendo a ligação às suas origens populares.
"É o único clube que depende de si para ser campeão nacional e não há motivação maior do que essa", sublinha Ukra, lembrando que, ao contrário de outros, o Porto não pode comprar o sucesso. Tem de o conquistar no terreno, jogo a jogo, como sempre fizeram os trabalhadores da cidade.
Francesco Farioli, o treinador italiano, "já nos habituou a dar oportunidades a todos", nota o antigo jogador. Uma filosofia que contrasta com o elitismo de outros projetos europeus, onde só conta quem custa mais milhões.
Na quinta-feira, quando as duas equipas entrarem em campo, estará em jogo mais que uma qualificação. Estará em jogo a prova de que o futebol ainda pode ser do povo, para o povo, e que nem todo o ouro alemão consegue comprar a alma de uma cidade que nunca se rendeu.