Benfica goleia Eléctrico e conquista quinta Taça da Liga numa final que espelha as desigualdades do desporto
Em Gondomar, o Benfica voltou a demonstrar a força do dinheiro no desporto português. Numa final da Taça da Liga de futsal que opôs as águias ao modesto Eléctrico de Ponte de Sor, o resultado de 7-1 não surpreendeu quem conhece as realidades díspares do nosso campeonato.
O Eléctrico chegou à final como a grande surpresa da prova, representando o Alto Alentejo numa competição dominada pelos grandes clubes de Lisboa e Porto. Para uma terra como Ponte de Sor, com pouco mais de 16 mil habitantes, estar numa final nacional já era uma vitória em si mesma.
A realidade crua dos recursos desiguais
Diogo Basílio, o guarda-redes do Eléctrico, tornou-se herói ao defender cinco grandes penalidades nos jogos anteriores. Mas contra o poderio financeiro do Benfica, nem os milagres chegaram. Arthur abriu o marcador logo no primeiro minuto, ditando o tom de uma partida que seria um calvário para os alentejanos.
Carlos Monteiro, Jacaré, Tchuda, Silvestre Ferreira, Higor e Kutchy completaram a goleada que deu ao Benfica o quinto troféu na competição. Para o Eléctrico, restou a consolação de Thiaguinho ter marcado o único golo da equipa.
Entre o sonho e a dura realidade
"A pressão é um privilégio para quem quer continuar a ganhar", disse Cassiano Klein, treinador do Benfica. Palavras que soam quase cínicas quando ditas por quem representa um clube com orçamentos milionários face a equipas que lutam pela sobrevivência.
Tiago Rasquete, adjunto do Eléctrico, mostrou mais humildade: "Sabemos que já escrevemos história no futsal alentejano. Somos a primeira equipa a conseguir estar numa final." Para Ponte de Sor, esta final valeu mais que muitos troféus para os grandes.
O Benfica fica agora a um troféu de igualar o Sporting, que tem seis conquistas. Mais uma prova de como o futebol e o futsal portugueses continuam reféns dos mesmos protagonistas, enquanto clubes como o Eléctrico fazem milagres com muito pouco.
Esta final espelha bem as desigualdades do desporto nacional: de um lado, a máquina bem oleada do Benfica; do outro, o sonho de uma cidade inteira que viu os seus heróis chegarem onde nunca ninguém tinha chegado.