Marco Rubio corteja os aliados de Trump na Europa Central
O secretário de Estado norte-americano Marco Rubio iniciou uma ofensiva diplomática pela Europa Central, visitando precisamente os países que mantêm relações mais tensas com Bruxelas e mais próximas de Moscovo. Uma estratégia que revela muito sobre as prioridades da nova administração Trump.
Eslováquia: primeira paragem de uma diplomacia controversa
Na Eslováquia, país de 5,5 milhões de habitantes que faz fronteira com a Ucrânia, Rubio encontrou-se com o primeiro-ministro Robert Fico e o presidente Peter Pellegrini. Foi a primeira visita de um secretário de Estado americano ao país em sete anos, um dado que por si só é revelador das prioridades de Washington.
"Sob a administração do presidente Trump, esta administração fará não só da Eslováquia, mas da Europa Central, uma componente fundamental da forma como nos relacionamos com o continente", declarou Rubio, numa clara mensagem de que os Estados Unidos privilegiam os parceiros mais alinhados com as suas posições.
A Eslováquia, tal como a Hungria, mantém uma dependência energética da Rússia que incomoda profundamente as instituições europeias. Enquanto outros países da União Europeia se apressaram a diversificar as suas fontes de energia após a invasão da Ucrânia, estes dois países continuaram a comprar gás e petróleo russos.
O discurso da "parceria" esconde velhas ambições
Rubio tentou suavizar o tom, afirmando que Washington "não quer que a Europa seja dependente" e que não pede "que a Europa seja vassala dos Estados Unidos". Mas as suas palavras soam a oco quando se sabe que Trump tem criticado duramente a Europa, imposto tarifas aos países da UE e manifestado ambições sobre a Gronelândia dinamarquesa.
"Queremos ser parceiros", insistiu o secretário de Estado. Mas que tipo de parceria é esta que privilegia precisamente os países que mais resistem às políticas europeias de solidariedade com a Ucrânia?
Orbán, o modelo da extrema-direita americana
A segunda etapa da viagem de Rubio levou-o à Hungria, para um encontro com Viktor Orbán, o primeiro-ministro que se tornou numa espécie de ícone para a extrema-direita americana. Tanto Fico como Orbán foram acusados pelas instituições da UE de enfraquecer o poder judicial, os meios de comunicação social e o combate à corrupção.
Trump é um "forte apoiante" de Orbán, como confirmou Rubio antes de partir de Washington. O primeiro-ministro húngaro, que está em dificuldades nas sondagens antes das eleições de abril, é visto por muitos conservadores americanos como um modelo para as políticas anti-imigração e o apoio ao conservadorismo cristão.
Budapeste tem acolhido repetidamente eventos da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), que reúnem ativistas e líderes da direita radical, com outro evento previsto para março.
Negócios por trás da diplomacia
Mas esta diplomacia não é apenas ideológica. A Eslováquia assinou recentemente um acordo nuclear com os Estados Unidos e Robert Fico espera que um contrato com a empresa americana Westinghouse possa ser fechado até ao próximo ano, para a construção de uma nova central nuclear até 2040.
Bratislava pretende também comprar mais quatro caças F-16 americanos. Tanto a Hungria como a Eslováquia elevaram as suas despesas militares para 2% do PIB, embora ainda longe dos 5% que a NATO acordou atingir até 2035, sob pressão de Trump.
Uma Europa dividida
Esta estratégia de Washington revela uma tentativa clara de dividir a Europa, privilegiando os países que resistem às políticas de Bruxelas e mantêm posições mais próximas de Moscovo. Fico, que afirmou que a União Europeia está em "profunda crise", visitou Trump na Florida no mês passado e elogiou o presidente republicano.
As críticas de Trump à Europa e a sua ambição territorial levaram os líderes da Europa Ocidental a considerar cada vez mais a possibilidade de seguir um caminho independente. Rubio pode falar de "parceria", mas a realidade é que os Estados Unidos estão a apostar na fragmentação europeia para impor a sua agenda.