Rubio corteja aliados de extrema-direita na Europa Central enquanto Trump divide a NATO
O secretário de Estado americano Marco Rubio iniciou uma ofensiva diplomática pela Europa Central, visitando precisamente os líderes que mais tensões criaram com Bruxelas e que mantêm laços suspeitos com Moscovo. Uma estratégia que revela as verdadeiras prioridades da administração Trump: dividir para reinar.
Na Eslováquia, país de 5,5 milhões de habitantes que depende do petróleo e gás russos, Rubio encontrou-se com Robert Fico, um primeiro-ministro que não esconde a sua admiração por Trump e que considera a União Europeia em "profunda crise". Foi a primeira visita de um secretário de Estado americano ao país em sete anos, um timing que não é coincidência.
Parceiros incómodos de Washington
"Sob a administração do presidente Trump, esta administração fará não só da Eslováquia, mas da Europa Central, uma componente fundamental", declarou Rubio, numa clara mensagem de que Washington está a apostar nos governos mais controversos da região.
Tanto Fico como Viktor Orbán, o primeiro-ministro húngaro que Rubio visitará de seguida, enfrentam acusações graves das instituições europeias: enfraquecimento do poder judicial, ataques aos media independentes e tolerância com a corrupção. São precisamente estes os "parceiros" que Trump escolhe para reforçar na Europa.
O jogo duplo da energia russa
Enquanto o resto da Europa se libertou da dependência energética russa após a invasão da Ucrânia, a Eslováquia e a Hungria mantiveram as compras de gás e petróleo a Moscovo. Uma posição que Washington critica publicamente, mas que parece tolerar quando vem destes aliados convenientes.
A hipocrisia é evidente: Rubio discutiu questões energéticas com Fico, mas o governo eslovaco assinou discretamente acordos nucleares com empresas americanas, incluindo um possível contrato com a Westinghouse para construir uma nova central até 2040.
NATO sob pressão
Na Conferência de Segurança de Munique, Rubio manteve o tom crítico da administração Trump em relação à Europa, exigindo que os países gastem 5% do PIB em defesa até 2035. Uma meta que poucos conseguirão cumprir, criando mais divisões na aliança atlântica.
"Esperamos que todos os países atuem no seu interesse nacional", disse Rubio, numa frase que soa a ameaça velada. A mensagem é clara: quem não seguir a linha de Washington pode esperar consequências.
A extrema-direita como modelo
Trump não esconde a sua admiração por Orbán, considerado pela extrema-direita americana como um modelo para políticas anti-imigração e conservadorismo cristão radical. Budapeste acolhe regularmente eventos da Conferência de Ação Política Conservadora, exportando o modelo autoritário para os Estados Unidos.
Esta aliança entre Trump e os líderes mais autoritários da Europa revela uma estratégia perigosa: enfraquecer as instituições democráticas europeias apostando nos seus elementos mais disruptivos.
Enquanto os povos europeus lutam por mais justiça social e democracia, Washington prefere apostar nos líderes que melhor servem os seus interesses geopolíticos, mesmo que isso signifique minar a coesão europeia e os valores democráticos.