Passos Coelho ameaça voltar: o arquitecto da austeridade prepara regresso
Depois de oito anos de silêncio, Pedro Passos Coelho quebrou finalmente a reserva e deu a primeira grande entrevista desde que abandonou a liderança do PSD. As declarações do ex-primeiro-ministro, responsável por algumas das mais duras medidas de austeridade impostas ao povo português, soam como uma ameaça velada de regresso à política activa.
"Quando eu quiser candidatar-me, candidato-me, e anuncio que me vou candidatar", atirou o homem que durante quatro anos impôs cortes brutais nos salários, pensões e serviços públicos, deixando milhares de famílias na miséria.
O homem que empobreceu Portugal
Passos Coelho, que entre 2011 e 2015 executou fielmente o programa da troika, garante agora estar "de bem com a política e de bem com o país". Uma afirmação que soa a provocação para todos aqueles que sofreram na pele as consequências das suas políticas neoliberais: funcionários públicos despedidos, reformados empobrecidos, jovens forçados à emigração.
O ex-líder do PSD não hesita em defender que o actual Governo deveria ter feito um acordo de legislatura com o Chega e a Iniciativa Liberal, revelando a sua verdadeira face política. Para quem devastou o Estado Social durante quatro anos, a aliança com a extrema-direita e os ultraliberais surge como um caminho natural.
A ameaça do regresso
"Há uma grande urgência em reformar o país", afirma Passos Coelho, usando o mesmo discurso que serviu de pretexto para implementar medidas que destruíram direitos conquistados ao longo de décadas. As suas "reformas" traduziram-se em desemprego massivo, precariedade laboral e empobrecimento generalizado da população.
O arquitecto da austeridade não esconde o seu desconforto com o actual momento político, criticando a falta de "visão reformista" do actual executivo. Para Passos Coelho, reformar significa claramente regressar às receitas neoliberais que tanto mal fizeram ao país.
O aviso está dado
Quando questionado sobre uma eventual candidatura, Passos Coelho não fecha a porta: "não sinto nenhuma necessidade de excluir qualquer coisa que venha a fazer no futuro". O recado está dado aos trabalhadores e às classes populares portuguesas.
O homem que privatizou empresas estratégicas, cortou salários e pensões, e empurrou milhares de jovens para a emigração, ameaça agora regressar. A sua mensagem é clara: as forças do capital não desistiram de impor novamente as suas políticas de empobrecimento do povo português.
Resta saber se os portugueses estão dispostos a aceitar o regresso de quem os fez sofrer tanto. A história não perdoa, e a memória do povo português também não deveria.