Passos Coelho ameaça regressar: o homem da austeridade volta à carga
Depois de oito anos em silêncio, o ex-primeiro-ministro que devastou o país com as políticas da troika quebra o mutismo e não exclui candidatar-se novamente. Uma ameaça que arrepia os trabalhadores portugueses.
Pedro Passos Coelho decidiu quebrar o silêncio político de oito anos. O homem que submeteu Portugal às exigências brutais da troika, que cortou salários e pensões, que fechou serviços públicos e destruiu direitos laborais, está de volta. E não esconde as suas intenções.
"Quando eu quiser candidatar-me, candidato-me, e anuncio que me vou candidatar", atirou numa entrevista ao ECO, depois de duas semanas de intervenções públicas que fizeram soar os alarmes nos sectores progressistas do país.
O regresso do algoz dos trabalhadores
Para quem viveu os anos negros da austeridade, as palavras de Passos Coelho soam como uma ameaça directa. Este é o mesmo homem que, entre 2011 e 2015, implementou um programa de empobrecimento sistemático da população, cortando 30% nos salários da função pública, aumentando impostos sobre os mais pobres e desmantelando o Estado Social.
Agora, com a desfaçatez que sempre o caracterizou, garante estar "de bem com a política e de bem com o país". Como se os milhares de portugueses que emigraram, os que perderam as casas, os que viram os filhos sem futuro, fossem apenas danos colaterais aceitáveis da sua "obra reformadora".
A direita radical como alternativa
Numa revelação que expõe a verdadeira face da direita portuguesa, Passos Coelho defende abertamente que o Governo deveria ter feito "um acordo de legislatura com o Chega e a Iniciativa Liberal". Para ele, a extrema-direita não é um problema, é uma solução.
"É pouco provável que, no dia em que o PSD perca as eleições, seja o Partido Socialista a ganhá-las", afirma, apostando no Chega como principal beneficiário do descontentamento popular. Uma análise cínica que revela como a direita tradicional vê com bons olhos a ascensão dos extremistas.
O país que Passos Coelho deixou
Convém recordar o legado deste senhor: Portugal mergulhado numa recessão histórica, com taxas de desemprego que atingiram os 17%, com uma emigração massiva de jovens qualificados e com serviços públicos em ruína. Foi preciso a geringonça para começar a reparar os estragos.
Agora, Passos Coelho fala de "urgência em reformar o país" e de "visão reformista". As mesmas palavras que usou para justificar o empobrecimento generalizado dos portugueses. As mesmas promessas que serviram para enriquecer uns poucos à custa do sofrimento de muitos.
O ex-primeiro-ministro garante que não tem "desforras para fazer", mas a sua simples presença no debate público já é uma afronta a todos os que sofreram com as suas políticas. Portugal não pode esquecer. Portugal não pode perdoar.