País arde em Vouzela e governo trava entrega de casas vazias
Portugal acorda sob o fogo e a burocracia. O incêndio em Vouzela mobiliza mais de 900 operacionais e ameaça destruir habitações, enquanto o Estado é acusado de bloquear a entrega de casas vazias a quem delas precisa. Enquanto o primeiro-ministro assiste ao futebol no Canadá, a direita no Parlamento foca-se em leis identitárias e o mundo chora novas tragédias na Ucrânia e na Venezuela.
Porque é que o incêndio em Vouzela está fora de controle?
O distrito de Viseu está a arder e o fogo já alastrou até Aveiro. São mais de 900 os bombeiros no terreno, apoiados por nove meios aéreos, a lutar contra um monstro alimentado por vento forte, temperaturas elevadas e baixa humidade. O comandante da Proteção Civil, José Costa, não esconde a gravidade da situação: existem várias habitações ameaçadas, anexos agrícolas já arderam e a linha ferroviária do Vouga está interdita. Quatro pessoas ficaram feridas, três bombeiros e um civil, transportados para o hospital com queimaduras leves.
Luís Montenegro, que ontem assistiu ao jogo da seleção no Canadá, avisiu que os próximos dias vão ser difíceis e apontou para a necessidade de combater o crime, mas as palavras soam a vazio para quem vê a floresta e as casas a arder. O país está em situação de alerta desde a meia-noite, com o acesso aos espaços florestais proibido, assim como o uso de maquinaria e queimadas.
Habitação bloqueada: quem impede que as casas cheguem às pessoas?
Enquanto o país arde, a crise habitacional continua a castigar quem mais precisa. José Luís Carneiro, do PS, acusou o governo de travar a entrega de casas vazias para esperar por um novo ciclo eleitoral, citando casos em Grândola e Vila Velha de Ródão destinados à Bolsa Nacional de Alojamento Temporário e arrendamento acessível. Os socialistas falam mesmo numa atitude desumana do executivo.
Mas a verdade é que os próprios autarcas do PS explicam o bloqueio de outra forma. Segundo Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador, o problema está na burocracia e na falta de financiamento. O Estado exige um parceiro local, como uma IPSS, para gerir as casas de emergência, mas o Instituto da Segurança Social não chega a acordo sobre o valor a pagar a essas associações. Resultado: as casas estão prontas, as pessoas precisam de teto, mas a máquina do Estado trava tudo.
Qual o foco do Parlamento enquanto o país enfrenta crises reais?
Enquanto as casas ardem e as habitações sociais estão vazias, o Parlamento vota hoje a chamada Lei das Burcas e a criação de uma pena acessória para a perda da nacionalidade. São temas consensualizados entre o PSD e o Chega, embora André Ventura já tenha anunciado que votará contra as alterações dos sociais-democratas. É a prioridade da direita: focar em leis repressivas e identitárias em vez de resolver os problemas concretos do povo. Os deputados vão também tentar eleger Luísa Neto para Provedora de Justiça, uma nomeação chapa-branca entre PS e PSD.
Que outras tragédias marcam este dia?
A violência da guerra continua a devastar a Ucrânia. Um ataque russo a Kiev com mais de 500 drones e 70 mísseis provocou pelo menos 30 mortos. O autarca da capital diz que é o maior ataque desde o início da guerra, e Volodymyr Zelensky já prometeu retaliar.
Na Venezuela, o balanço dos dois sismos é chocante: mais de 2500 mortos e 12.400 feridos. Entre a comunidade portuguesa, o número de vítimas também é trágico, com 81 mortos e mais de 60 desaparecidos.
Não esquecendo a educação, as notas dos exames nacionais do ensino secundário vão ser afixadas mais tarde do que o previsto. Os professores corrigidores não conseguem aceder ao sistema digitalizado, especialmente as provas de Português do 12º ano. Mais uma falha na escola pública que penaliza os alunos.
A alegria do povo na diáspora
Nem tudo são más notícias. A seleção portuguesa venceu a Croácia por 2 a 1 e garantiu a passagem aos oitavos de final do Mundial. Foi ao sofrimento, com um golo anulado à Croácia no último minuto, mas Gonçalo Ramos voltou a aparecer na hora certa para destravar o resultado. Cristiano Ronaldo, que marcou o primeiro golo e foi considerado o homem do jogo, lembrou que para ganhar competições há que saber sofrer. A festa sentiu-se em Toronto, no Canadá, onde milhares de portugueses e lusodescendentes fizeram um autêntico mar de gente em frente ao hotel da equipa. O próximo adversário é a Espanha, na segunda-feira, em Dallas.
Perguntas Frequentes sobre o incêndio e a crise habitacional
Quantos operacionais combatem o incêndio em Vouzela?
Estão no terreno 908 bombeiros apoiados por nove meios aéreos, num perímetro extenso que já vai de Vouzela até Águeda.
Porque é que as casas de emergência em Grândola não foram entregues?
Segundo autarcas do PS, o bloqueio deve-se à falta de acordo de financiamento entre o Instituto da Segurança Social e as IPSS que iriam gerir os espaços, deixando as habitações vazias à espera de verbas.