Félix da Costa e a Jaguar: um título mundial conquistado à custa de muita raça
O piloto português António Félix da Costa pode não ter subido ao pódio na última corrida da temporada de Fórmula E, mas o seu trabalho sujo e inteligente ajudou a Jaguar a conquistar o Mundial de equipas. Numa corrida em Londres que ficou marcada pela estratégia e pela polémica, o português foi o escudeiro perfeito para o título de construtores, enquanto o alemão Pascal Wehrlein levou o campeonato de pilotos para a Porsche.
Uma corrida de sacrifício e estratégia
Félix da Costa terminou a prova no 14.º lugar, a 48,7 segundos do vencedor, o britânico Taylor Barnard, da DS Penske. Mas o resultado final não conta a história. O piloto de Cascais tinha uma missão clara: garantir que a Jaguar mantinha a vantagem de cinco pontos sobre a Porsche no campeonato de equipas. E cumpriu-a com uma atuação de sacrifício e inteligência.
“O objetivo era um: ganhar o Campeonato do Mundo de equipas, e conseguimos alcançá-lo. Para o fazer, tínhamos de acabar à frente dos Porsche. Sabíamos que íamos ter de fazer uma corrida muito disruptiva”, explicou o português no final.
O jogo sujo da Porsche e a resposta da Jaguar
A Porsche não facilitou a vida à Jaguar. Voltou a usar o suíço Nico Müller como escudo humano para atrasar os adversários e proteger Pascal Wehrlein, que liderava o Mundial de pilotos. Mas a Jaguar não se ficou. “Eles jogaram ontem um jogo de que eu não gostei. Começaram logo a fazer hoje outra vez, na primeira volta, e foi aí que decidimos pôr o nosso plano B em ação. Jogámos o jogo deles”, atirou Félix da Costa.
O português passou Müller na quinta volta e chegou a rodar em terceiro, antes de se dedicar à tarefa de atrasar Wehrlein para permitir a aproximação do seu companheiro de equipa, o neozelandês Mitch Evans. Na volta 26, com o português a conter o alemão, Evans conseguiu ultrapassar ambos e subir ao quarto lugar. Félix da Costa intensificou depois a pressão sobre Wehrlein, que caiu para fora dos pontos.
“Não têm nenhum direito de dizer que fizemos alguma coisa de mal. Apenas fizemos o que eles nos fizeram, mas melhor, mais e melhor”, respondeu o português às críticas.
O título de pilotos escapa a Evans
Apesar do trabalho de equipa, Evans não conseguiu a vitória de que precisava para conquistar o título. Terminou em quarto, atrás de Barnard e dos dois pilotos da Mahindra, o neerlandês Nyck de Vries e o suíço Edoardo Mortara. O campeonato de pilotos acabou nas mãos de Wehrlein, que beneficiou do abandono do britânico Jake Dennis (Andretti), envolvido num incidente na volta 31.
Wehrlein fechou a temporada com 169 pontos, mais cinco do que Dennis e nove do que Evans, tornando-se bicampeão mundial e apenas o segundo piloto a conquistar dois títulos na Fórmula E, depois do francês Jean-Éric Vergne.
Félix da Costa: uma época de altos e baixos
Félix da Costa terminou o campeonato no sexto lugar, com 128 pontos, depois de uma temporada em que venceu em Jeddah e Madrid e subiu várias vezes ao pódio. “Estou contente por trazer este Campeonato do Mundo de equipas para casa. Foi uma época positiva, competitiva em todos os circuitos. Lutámos por top-5 e pódios em todos os circuitos. Talvez tenha sido a época mais competitiva que tive na Fórmula E”, considerou.
Mas o português lamentou os episódios que lhe custaram pontos ao longo da época. “Obviamente, aconteceram-nos muitas coisas que nos roubaram muitos pontos, mas isto é o mundo do desporto. Agora é descansar uma ou duas semanas e agarrar o novo Gen4 com toda a força, para nos colocarmos outra vez numa posição de lutar pelo Campeonato do Mundo no próximo ano”, concluiu.
Barnard faz história e a era Gen3 chega ao fim
A vitória de Barnard, alcançada com uma ultrapassagem a De Vries na última curva a duas voltas do fim, fez do britânico, com 22 anos e 76 dias, o mais jovem vencedor de sempre na Fórmula E. A corrida de Londres encerrou a temporada de 2025/26 e a era dos monolugares Gen3, que serão substituídos pelos novos Gen4 no próximo campeonato.