Sistema Volta já recuperou mais de 150 milhões de embalagens. Mas há lixo nas ruas e máquinas avariadas
Desde abril que o sistema de depósito e reembolso Volta está a funcionar em Portugal. Já recuperou mais de 150 milhões de garrafas e latas. Mas o arranque não tem sido um mar de rosas. Há máquinas avariadas, lixo espalhado nas ruas e muitas dúvidas dos consumidores. A SDR Portugal, que gere o sistema, garante que as coisas vão melhorar.
Como funciona o sistema Volta?
O Volta é um sistema de depósito e reembolso (SDR) para garrafas e latas de bebidas de uso único com menos de três litros. Quando compra uma bebida, paga 10 cêntimos a mais. Quando devolve a embalagem vazia num dos pontos de recolha, recebe esse valor de volta. O objetivo é aumentar a reciclagem e reduzir o lixo que vai parar aos aterros.
Quantas embalagens já foram devolvidas?
Segundo os números oficiais, já foram recuperadas mais de 150 milhões de embalagens desde o início, a 10 de abril. O sistema começou com 2.500 pontos de recolha automática em supermercados e hipermercados. Agora já são mais de 3.000. Há também locais de recolha manual e 50 quiosques Volta espalhados por 38 municípios, como Albufeira, Barcelos, Vila Nova de Famalicão, Funchal e Ponta Delgada. Estes quiosques conseguem processar cerca de 120 embalagens por minuto.
Nos primeiros dois meses, até 10 de junho, foram devolvidos 10 milhões de embalagens. A 6 de julho, o número já era de 55,5 milhões. E a 21 de julho, atingiu-se os 100 milhões. A SDR Portugal fala numa “adesão rápida e crescente dos cidadãos”.
O que está a correr mal? Lixo nas ruas e máquinas avariadas
O arranque do sistema não tem sido perfeito. Em Lisboa e no Porto, há relatos de lixo espalhado nas ruas, com pessoas a revirar contentores à procura de embalagens para devolver. A SDR Portugal reconhece que houve “perturbações pontuais na higiene urbana”, mas diz que isso também aconteceu noutros países europeus quando implementaram sistemas semelhantes. A empresa garante que a situação melhora à medida que a infraestrutura se expande e que as pessoas se habituam a devolver as embalagens.
Outro problema são as máquinas avariadas. A SDR Portugal admite que há “situações de inatividade”, mas afirma que, em média, as máquinas estão disponíveis 90% do tempo. Quando não funcionam, é muitas vezes por causa de coisas simples como trocar os sacos ou falta de papel na impressora. A empresa lembra que os supermercados com mais de 400 metros quadrados são obrigados a receber todas as embalagens. Se as máquinas não funcionam, o consumidor deve pedir ajuda no balcão de apoio ao cliente.
E o dinheiro dos depósitos não reclamados?
Muita gente pergunta: para onde vai o dinheiro das embalagens que nunca são devolvidas? A SDR Portugal explica que esse valor é reinvestido na melhoria do sistema, mas só se as metas de recolha forem cumpridas. Caso contrário, o dinheiro vai, em partes iguais, para o Fundo Ambiental e para o Fundo para a Promoção dos Direitos dos Consumidores.
As metas são ambiciosas: este ano, o sistema tem de recuperar 40% das embalagens. Em 2027, sobe para 80%. Em 2028, para 85%. E a partir de 2029, para 90%. Se Portugal não cumprir estas metas europeias, pode levar multas pesadas, pagas pelo Orçamento do Estado.
Porque é que isto é importante?
Portugal ainda manda para os aterros cerca de 54% dos resíduos urbanos. Muitos aterros já estão quase cheios. O sistema Volta é uma tentativa de mudar esta realidade. Se funcionar bem, pode ajudar o país a cumprir as metas ambientais e a reduzir a poluição. Mas para isso, é preciso que as máquinas funcionem, que o lixo não se espalhe e que as pessoas confiem no sistema.
A SDR Portugal promete que a rede de recolha vai continuar a crescer e que vai lançar uma nova campanha de comunicação para esclarecer as dúvidas dos consumidores. Resta saber se as promessas se vão cumprir.
Perguntas frequentes sobre o sistema Volta
O que posso devolver no Volta?
Garrafas e latas de bebidas de uso único com menos de três litros. Garrafas de vidro, plástico e latas de alumínio estão incluídas.
Onde posso devolver as embalagens?
Em mais de 3.000 pontos de recolha automática em supermercados e hipermercados, em locais de recolha manual e em 50 quiosques Volta espalhados por 38 municípios.
E se a máquina estiver avariada?
Dirija-se ao balcão de apoio ao cliente do supermercado. Os estabelecimentos com mais de 400 metros quadrados são obrigados a receber as embalagens mesmo que as máquinas não funcionem.
Para onde vai o dinheiro se eu não devolver a embalagem?
Se as metas de recolha forem cumpridas, o dinheiro é reinvestido no sistema. Caso contrário, vai para o Fundo Ambiental e para o Fundo para a Promoção dos Direitos dos Consumidores.