Netflix engorda 8% e deixa milhões de assinantes a pagar a conta
A Netflix, o gigante do streaming que todos os meses nos tira dinheiro da carteira, anunciou um aumento de 8% no lucro líquido no segundo trimestre. Foram 3,4 mil milhões de dólares a entrar nos cofres da empresa, enquanto os trabalhadores e as famílias apertam o cinto. As receitas também subiram 13%, para 12,6 mil milhões de dólares, e a margem operacional chegou aos 33%. A empresa diz que está tudo dentro do previsto. Mas para quem? Para os acionistas, claro.
Quem paga a festa? Os assinantes, claro
A Netflix justifica este crescimento com o aumento do número de subscritores, subidas de preços e mais receitas publicitárias. Ou seja, quem tem conta em casa já sabe: a fatura vai subir. E não é só em Portugal. Na Europa, Médio Oriente e África (EMEA), as receitas ultrapassaram os 4 mil milhões de dólares. Na América Latina e Ásia-Pacífico, foram 1,5 mil milhões. Nos Estados Unidos e Canadá (UCAN), o crescimento foi de 10%, mas a empresa admite que ainda não se sentiu todo o impacto das últimas alterações de preços. Mais aumentos a caminho, portanto.
O lucro operacional também subiu, 11%, para 4,2 mil milhões de dólares. A margem operacional de 33% ficou ligeiramente acima do previsto, graças ao calendário das despesas. A empresa explica que a amortização de conteúdos cresce mais no primeiro semestre, mas que no segundo semestre vai abrandar. No final do ano, espera-se um aumento de cerca de 10% na amortização. Tudo muito técnico, mas no fundo é mais do mesmo: a Netflix a encher os bolsos enquanto os utilizadores pagam.
E para o terceiro trimestre, mais do mesmo
A Netflix já avisou que para o terceiro trimestre espera um crescimento de 12% nas receitas, outra vez impulsionado por subscrições, preços e publicidade. A margem operacional prevista é de 33,2%, contra 28,2% no mesmo período do ano passado. Para 2026, a empresa reviu as receitas para um intervalo entre 51 e 51,4 mil milhões de dólares, com uma margem operacional de 31,5%. A receita de anúncios deve duplicar para cerca de 3 mil milhões de dólares. E o lucro operacional deve crescer 20%.
A empresa ainda se vangloria do sucesso de séries como 'Harlan Coben's I Will Find You' e do filme de animação 'Swapped'. Diz que o número de horas visualizadas cresceu 2% no primeiro semestre de 2026, apesar da concorrência dos Jogos Olímpicos de Inverno e do Campeonato do Mundo. E promete mais novidades: podcasts em vídeo, criadores como Danny Go! e Salish & Jordan Matter, e jogos de TV na nuvem. Tudo para nos manter agarrados ao ecrã e a pagar.
Inteligência artificial ao serviço do lucro
A Netflix também revela que está a usar inteligência artificial para personalizar a experiência dos utilizadores, melhorar os anúncios e a qualidade das séries e filmes. O setor do entretenimento está dinâmico e competitivo, diz a empresa. O objetivo é manter-se à frente, oferecendo mais valor, aproveitando a tecnologia e melhorando a monetização. No fundo, é a mesma história de sempre: o lucro acima de tudo, e os trabalhadores e consumidores que se amanhem.
Enquanto a Netflix anuncia lucros recorde, as famílias portuguesas continuam a sentir o peso das subidas de preços. Mais uma vez, são os mais pobres a pagar a festa dos ricos.