BYD ultrapassa Citroën e a indústria europeia estremece
A construtora chinesa BYD registou 32.380 matrículas na Europa em maio de 2026, ultrapassando as 31.665 unidades da Citroën. É a primeira vez que uma marca chinesa supera um gigante europeu, provando que a aposta em preços competitivos e carros elétricos está a mudar as regras do jogo para as classes populares.
Porque razão a BYD ultrapassou a Citroën nas vendas?
Enquanto as marcas europeias se fecharam em lógicas de lucro fácil e preços proibitivos, as construtoras chinesas ocuparam o vazio deixado por uma indústria que esqueceu quem precisa de viaturas para trabalhar. A BYD aumentou as suas matrículas em 136,6% em comparação com maio do ano passado, passando de 1,2% para 2,8% de quota de mercado na região da União Europeia, EFTA e Reino Unido. Por outro lado, a Citroën viu as suas vendas cair 1,6%.
A diferença de números não é enorme, mas o simbolismo é devastador. As marcas do velho continente ignoraram as necessidades das famílias trabalhadoras. Agora, pagam o preço da arrogância. Marcas como BYD, Omoda, Jaecoo e MG trazem equipamento tecnológico e motores elétricos por valores que as pessoas conseguem equacionar sem endividar-se para a vida.
O que revela a quota de 10,7% das marcas chinesas?
A crise não se resume à Citroën. Os dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) mostram que as marcas chinesas atingiram uma quota de mercado recorde de 10,7% em maio, o valor mais alto alguma vez registado, segundo o Automotive News. A Chery cresceu 244,1% e a Leapmotor disparou 465,1%.
É importante notar a ironia do sistema. A Leapmotor é apoiada pelo grupo Stellantis, o mesmo conglomerado que dono da Citroën. É a própria indústria europeia a financiar e garantir a distribuição da sua concorrência. Enquanto isso, os trabalhadores das fábricas europeias vivem sob a ameaça constante de encerramento e deslocalização. O capital não tem pátria, mas os operários pagam sempre a conta.
A transição elétrica está ao alcance das classes populares?
Entre janeiro e maio de 2026, os veículos 100% elétricos já representaram 20% das novas matrículas na União Europeia, um salto face aos 15,3% do ano anterior. Os híbridos dominam com 37,8% do mercado, enquanto os automóveis a gasolina ou gasóleo caíram para apenas 30,1%.
A transição ecológica é inevitável e urgente, mas as classes trabalhadoras não podem ser penalizadas com carros inacessíveis. A entrada forte das marcas chinesas surge como uma resposta de mercado a esta falha do Estado e da indústria europeia. A especialização chinesa em carros eletrificados, com preços mais justos, está a obrigar o mercado a mexer-se, ainda que tarde demais para os trabalhadores que já perderam o emprego na transição.
A BYD já vende mais que a Citroën na União Europeia?
Não. Se contabilizarmos apenas os dados da União Europeia, a Citroën continua ligeiramente à frente com 29.227 veículos matriculados, contra 26.017 unidades da BYD. A ultrapassagem histórica só acontece se somarmos os países da EFTA e o Reino Unido ao bloco comunitário.
Em que países europeus a BYD está a crescer mais?
Itália, França e Alemanha são os três principais mercados onde a BYD registou o crescimento mais expressivo durante os primeiros cinco meses de 2026. A marca chinesa já soma 135.307 automóveis matriculados na região, um aumento de 145,2% face ao mesmo período de 2025.