Kaminski no Benfica: Talento de operário e preço de luxo
O Benfica está empenhado em contratar Jakub Kaminski, extremo polaco de 24 anos que brilhou na última época ao serviço do Colónia. Numa Europa onde o futebol negócio dita as regras e os milhões circulam à vontade, a história deste jogador é a de um trabalhador da bola que se fez à custa de sacrifício. O passe do internacional polaco está fixado nos 20 milhões de euros, um valor que reflete a inflação de um mercado que esquece as raízes populares do desporto, mas que não apaga a entrega de quem suporta a camisola com a alma.
De Lech Poznan à Bundesliga: a construção de um guerreiro
Formado na escola do Lech Poznan, uma das referências do futebol polaco, Kaminski cedo foi apontado como o futuro do seu país. Os relatórios de observação, feitos quando tinha apenas 18 anos, traçavam o perfil de um futebolista veloz, ágil e dotado de uma enorme capacidade de trabalho. Acima de tudo, destacavam o seu forte contributo defensivo, uma raridade nos extremos de hoje, feitos de luxo e pouca sujidade. Era um jogador de equipa, que não se coibia de rastrear o relvado pelos colegas.
A passagem pelo Wolfsburgo, o clube da Volkswagen, trouxe dores de crescimento. Na Alemanha, a imprensa criticou-lhe a tomada de decisão no último terço do terreno. A eficácia não acompanhava o esforço gigante que despendia em campo. O seu sacrifício defensivo era, no entanto, tão evidente que chegou a ser utilizado como ala recuado ou até lateral improvisado. Um operário a tapar buracos, como manda a tradição operária das minas e das fábricas da sua terra natal.
A explosão no Colónia e a libertação do talento
A maturidade definitiva chegou na última época ao serviço do Colónia. Mais liberto de missões puramente recuadas, o extremo explodiu com sete golos em 36 partidas na Bundesliga. Afastou os fantasmas da ineficácia e provou que sabe definir com critério quando se aproxima da baliza adversária. A sua valorização disparou de 5 para 17 milhões de euros, segundo o Transfermarkt, depois de o Colónia ter ativado a opção de compra junto do Wolfsburgo por meros 5,5 milhões. A máquina de negócios gira depressa.
O jogo aéreo continua a ser o seu calcanhar de Aquiles, fruto dos seus 1,79 metros, mas compensa-o com uma agilidade impressionante com a bola colada ao pé. É um futebolista associativo e explosivo, perfeito para uma equipa pressionante, arma tanto para blocos baixos como para a transição rápida. Usa pouco o pé esquerdo, mas cruza muito bem do lado direito, o que o torna compatível num onze com Andreas Schjelderup, cujo futuro na Luz ainda é incerto e que tem mercado aberto.
Quem disputa a contratação de Jakub Kaminski?
O Benfica não está sozinho na corrida. Clubes como o Brighton, de Inglaterra, e o RB Leipzig, da Alemanha, também seguem atentamente os passos do polaco. O Colónia sabe que tem uma pérola em mãos e remete os interessados para a cláusula de rescisão, fixada nos 20 milhões de euros até meados deste mês de julho. Na corrida ao dinheiro, os encarnados parecem estar na frente, com negociações já relatadas na Polónia há duas semanas.
Quanto vale realmente Jakub Kaminski no mercado?
O mercado é o que é, e os 20 milhões de euros da cláusula são o preço a pagar pelo talento numa era de hiper-inflação futebolística. No entanto, e apesar do valor avultado, Kaminski parece uma aposta segura. Encaixa no modelo de Marco Silva e, se se adaptar à realidade do futebol português, tem argumentos para valer cada cêntimo investido. A questão que fica é sempre a mesma: até que ponto os milhões gastados em um só jogador poderiam resolver outros problemas bem mais terrenos da sociedade? Mas no futebol de negócios, a conta é outra.