Ferrari Luce: o carro elétrico que os críticos odiaram e os milionários adoraram
Quando a Ferrari apresentou a Luce, a sua primeira berlina totalmente elétrica, as reações foram tudo menos positivas. O design pouco convencional dividiu os fãs da marca, antigos responsáveis criticaram publicamente o modelo e até a bolsa reagiu de forma negativa. Mas dois meses depois, tudo indica que a estratégia da marca italiana foi um golpe de génio.
Segundo avança o Financial Times, citando duas fontes próximas do processo, a Ferrari já terá atingido o objetivo de vendas da Luce para 2026. A marca pretendia comercializar pouco menos de 500 unidades este ano do seu primeiro automóvel 100% elétrico, cujo preço começa nos 550 mil euros, antes de opcionais. Se a informação se confirmar, esse objetivo foi alcançado em julho, apenas dois meses depois da apresentação oficial do modelo.
Porque é que a Ferrari não quis convencer os clientes tradicionais?
A estratégia da Ferrari nunca passou por convencer os atuais proprietários de modelos V8 ou V12 a trocar os motores de combustão por uma versão elétrica. Pelo contrário. A publicação refere que a Ferrari terá mesmo orientado a sua rede de concessionários para não pressionar os clientes mais tradicionais a adquirirem a Luce. O objetivo era conquistar um público completamente diferente.
As críticas chegaram ao antigo presidente da Ferrari, Luca Cordero di Montezemolo, que afirmou publicamente que o modelo não merecia ostentar o famoso Cavallino Rampante. A reação dos investidores também foi imediata. Nas horas que se seguiram à apresentação, as ações da Ferrari chegaram a perder mais de 8% do seu valor.
China e Silicon Valley: os mercados que a Ferrari quer conquistar
A Ferrari terá direcionado a Luce para novos compradores de elevado poder económico, sobretudo na China e em polos tecnológicos como a Silicon Valley, nos Estados Unidos. Nestes mercados, os automóveis elétricos fazem parte do quotidiano e os clientes não procuram necessariamente uma Ferrari que siga todos os padrões estéticos dos modelos clássicos da marca.
Esta abordagem poderá explicar porque é que a Ferrari aceitou arriscar num design tão diferente. A marca apostou numa nova geração de compradores em vez de tentar agradar aos fãs mais conservadores.
Um modelo exclusivo que representa apenas 5% das vendas
Mesmo que o sucesso comercial se confirme, a Luce continuará a representar uma pequena parte das vendas da Ferrari. Segundo o Financial Times, a marca pretende vender cerca de 2.500 unidades até 2030, o equivalente a aproximadamente 600 automóveis por ano. Isto significa que o primeiro modelo elétrico da Ferrari deverá representar apenas cerca de 5% das vendas anuais da marca.
O que é que a Luce representa para o futuro da Ferrari?
Mais do que lançar um automóvel elétrico, a Ferrari parece estar a testar uma nova abordagem ao mercado. Em vez de substituir os modelos equipados com motores de combustão, a Luce surge como uma forma de atrair uma nova geração de clientes, sem alterar significativamente o posicionamento dos restantes modelos da gama.
Se os números avançados pelo Financial Times forem confirmados, a Ferrari poderá demonstrar que um automóvel inicialmente muito contestado consegue encontrar o seu espaço quando é desenvolvido para um público diferente daquele que tradicionalmente associa a marca aos seus superdesportivos a gasolina.
Perguntas frequentes sobre a Ferrari Luce
Quanto custa a Ferrari Luce?
O preço base da Ferrari Luce começa nos 550 mil euros, antes de opcionais.
Quantas unidades a Ferrari quer vender da Luce até 2030?
A marca pretende vender cerca de 2.500 unidades até 2030, o equivalente a aproximadamente 600 automóveis por ano.
Porque é que a Ferrari não quis convencer os clientes tradicionais a comprar a Luce?
A estratégia da Ferrari passou por conquistar um público completamente diferente, sobretudo na China e em Silicon Valley, sem pressionar os atuais proprietários de modelos V8 ou V12 a trocar para a versão elétrica.