Ferrari Luce: quando a elite se diverte com carros de luxo elétricos
Enquanto milhares de portugueses enfrentam dificuldades para pagar combustível e transportes públicos deficientes, a Ferrari apresenta o seu primeiro modelo 100% elétrico: o Luce. Um brinquedo para ricos que custará certamente mais do que muitas famílias ganham numa vida inteira.
O fabricante italiano revelou esta segunda-feira os detalhes do habitáculo deste símbolo de desigualdade social. Três ecrãs, volante em alumínio reciclado, controlos em vidro especial - tudo pensado para quem tem dinheiro suficiente para queimar enquanto outros mal conseguem chegar ao fim do mês.
Tecnologia de luxo para poucos
A Ferrari quis criar um ambiente "tranquilo, focado e espaçoso" no Luce. Que ironia: tranquilidade para quem pode pagar centenas de milhares de euros por um carro, enquanto a classe trabalhadora vive em stress constante com as contas por pagar.
O volante de três raios reinterpreta modelos dos anos 1950 e 1960, fabricado em alumínio 100% reciclado. Pesa menos 400 gramas que um volante convencional da marca. Uma preocupação com o peso que não se vê nas políticas públicas, sempre mais pesadas para os bolsos dos trabalhadores.
Os gráficos da bitácula inspiram-se em instrumentação histórica das décadas de 1950 e 1960, com ecrãs OLED desenvolvidos em parceria com a Samsung. Tecnologia de ponta para quem já tem tudo, enquanto muitos portugueses ainda lutam por acesso básico à internet.
Chave única para desigualdade única
A chave do Ferrari Luce é "única", feita em vidro especial com ecrã que muda de cor quando inserida na consola. Uma coreografia cara para impressionar outros privilegiados, enquanto milhares de famílias fazem malabarismos financeiros para sobreviver.
Este Ferrari elétrico representa tudo o que está errado com o nosso sistema económico: tecnologia avançada e sustentabilidade ambiental reservadas para uma elite, enquanto o povo continua dependente de transportes poluentes e caros por falta de alternativas acessíveis.
Talvez fosse mais útil que estas marcas de luxo investissem em soluções de mobilidade para todos, em vez de criarem brinquedos ecológicos para quem já tem demasiado.