Com a chegada das chuvas de outono, milhares de condutores portugueses enfrentam um problema que começa com um cheiro a bolor dentro do carro e pode acabar em reparações caras: infiltrações de água no habitáculo. Segundo o Manual Automonitor da SAPO, publicado a 7 de novembro, a causa está muitas vezes em folhas acumuladas ou escoamentos entupidos, e uma verificação de cinco minutos pode evitar contas de centenas de euros na oficina.
O outono junta duas condições que favorecem a entrada de água nos automóveis: chove com frequência e as folhas acumulam-se exatamente nos locais por onde a água deveria escoar. A organização alemã de inspeção técnica TÜV SÜD, que publicou recomendações sobre o tema em outubro, considera os escoamentos obstruídos uma das causas mais importantes de infiltrações nesta altura do ano. E não é preciso uma avaria grave para a água acabar dentro do carro.
Porque é que o carro cheira a humidade depois da chuva?
Para quem vive do ordenado e precisa do carro para o trabalho, uma avaria elétrica ou um problema de bolor pode significar uma fuga de dinheiro difícil de absorver. O cheiro persistente a humidade, sobretudo quando regressa depois de cada período de chuva, é o primeiro aviso de que algo está errado e não deve ser ignorado.
O Super Rádio Tupi relata casos de condutores que deixaram o carro estacionado durante vários dias de chuva e descobriram manchas escuras e cheiro desagradável nos bancos traseiros. A explicação é a perda de eficiência das vedações: a água encontra pequenos caminhos e penetra no habitáculo em silêncio, sem que ninguém dê por isso.
Onde procurar a entrada de água
Tapetes e chão do habitáculo
O primeiro passo é retirar os tapetes e passar a mão pelo revestimento do chão, sobretudo junto às portas e debaixo dos bancos. Um tapete molhado pode resultar apenas de sapatos encharcados, mas um revestimento persistentemente húmido, mesmo depois de vários dias sem chuva, merece atenção. Atenção: os materiais de isolamento por baixo da alcatifa podem reter bastante água mesmo quando a superfície parece seca.
Folhas junto ao para-brisas
É um dos pontos mais importantes. Na zona entre o capô e a base do para-brisas existem, em muitos carros, canais que encaminham a água da chuva para o exterior. Durante o outono, folhas, ramos e sujidade bloqueiam esses escoamentos e a água retida pode entrar pela admissão de ar da ventilação. Com o motor desligado, retire as folhas visíveis. Não desmonte proteções nem introduza ferramentas nos orifícios de drenagem; se suspeitar de obstrução interna, peça uma limpeza numa oficina.
Vedantes das portas e da bagageira
Abra as portas e observe as borrachas de vedação. Procure cortes, deformações, zonas descoladas ou sujidade acumulada. Passe um pano macio pelos vedantes e faça o mesmo na tampa da bagageira. Se encontrar borrachas danificadas, não tente resolver o problema com silicone de construção ou produtos improvisados: a reparação pode exigir a substituição do vedante ou a identificação de uma falha de montagem.
Compartimento da roda suplente
Uma infiltração nem sempre se manifesta junto dos bancos. Levante o revestimento da bagageira e a cobertura do compartimento da roda suplente. Procure vestígios de água, manchas, cheiro a mofo ou sinais de corrosão. A humidade nesta zona pode estar relacionada com vedantes da tampa, juntas dos farolins traseiros ou outros pontos de entrada. Secar a bagageira sem corrigir a infiltração apenas adia o problema.
Teto de abrir
Os tetos de abrir e panorâmicos têm canais e tubos próprios para escoar a água. Quando ficam obstruídos, a água infiltra-se pelo forro do teto, pelos pilares ou chega ao chão do habitáculo. Observe manchas junto ao teto, humidade nos pilares ou pingos depois de chover. Siga apenas o procedimento indicado no manual do fabricante; uma intervenção inadequada pode deslocar os tubos e agravar a infiltração.
O que nunca deve fazer
Não tente desentupir canais de drenagem com ar comprimido de elevada pressão, arames ou ferramentas pontiagudas. Pode danificar os tubos, deslocar ligações ou agravar o problema. Evite também os produtos perfumados para disfarçar o cheiro: não eliminam a origem da humidade e atrasam o diagnóstico.
Sobretudo, não continue a utilizar normalmente um automóvel com água acumulada junto de componentes elétricos, avisos de avaria ou sinais de danos provocados por inundação sem uma avaliação técnica. A água retida debaixo das alcatifas favorece o bolor, a corrosão e falhas elétricas, e aí a fatura sobe depressa.
Chuva, estradas e prevenção
A prevenção faz todo o sentido num outono que tem sido duro. A Proteção Civil alertou para cheias, deslizamentos e ondas até 4,5 metros com a chegada da tempestade Bruna, e os solos saturados agravam o risco de inundações urbanas, contexto noticiado pelo Observador. Carros estacionados na rua ficam mais expostos.
Antes de deixar o carro parado durante vários dias de chuva, vale a pena retirar as folhas junto ao para-brisas, verificar os vedantes e confirmar que os tapetes e a bagageira estão secos. São cuidados simples, que não exigem conhecimentos de mecânica e permitem apanhar o problema enquanto ainda é pequeno.
Porque, quando o carro começa a cheirar a humidade, a pergunta mais importante não é como eliminar o cheiro. É perceber de onde vem a água.
Perguntas frequentes
Um tapete molhado significa que o carro tem uma infiltração?
Não necessariamente. Pode resultar de sapatos encharcados. Mas se o revestimento do chão se mantém húmido vários dias depois da chuva, ou se a humidade está distribuída por várias zonas, é preciso investigar a origem.
Posso usar ar comprimido para desentupir os escoamentos?
Não. O ar de elevada pressão, os arames e as ferramentas pontiagudas podem danificar os tubos de drenagem ou deslocar ligações, agravando a infiltração. A limpeza interna deve ser feita numa oficina.
Quando devo levar o carro à oficina?
Sempre que encontrar o chão encharcado, água acumulada ou sinais de humidade persistente, sobretudo junto de componentes elétricos. A oficina deve localizar a entrada de água e verificar os materiais afetados antes de o carro voltar à rotina.
