BlackRock promove IA e fragmentação geopolítica como novas armas do capitalismo financeiro
A maior gestora de ativos do mundo não esconde as suas intenções: transformar a inteligência artificial e as tensões geopolíticas em oportunidades de lucro para os grandes capitais. No seu último relatório, a BlackRock deixa claro que estas "mega forças" são agora a bússola fundamental dos seus investimentos.
IA como motor de especulação financeira
"O tema da inteligência artificial impulsionou as ações para novos máximos este ano", admite a BlackRock sem qualquer pudor. Para esta gigante financeira, a IA não representa progresso para a humanidade, mas sim uma oportunidade de ouro para engordar os lucros dos grandes investidores.
A empresa mantém uma "sobreponderação das ações dos Estados Unidos no tema da IA em expansão", beneficiando dos cortes nas taxas de juro da Reserva Federal norte-americana. Enquanto os trabalhadores enfrentam a precariedade e o desemprego tecnológico, os grandes capitais especulam com o futuro da tecnologia.
Guerra comercial como negócio
A tensão entre Estados Unidos e China não é vista pela BlackRock como uma ameaça à paz mundial, mas como uma fonte de lucro. A "fragmentação geopolítica" tornou-se numa ferramenta de investimento, onde cada conflito representa uma oportunidade de mercado.
O recente acordo sobre terras raras entre os dois gigantes económicos ilustra perfeitamente esta lógica perversa. Enquanto os povos sofrem com as consequências das guerras comerciais, os especuladores financeiros lucram com a instabilidade.
Energia: o próximo alvo da especulação
A BlackRock já identificou o seu próximo filão: a energia necessária para alimentar os data centers e chips de IA. "As estimativas da procura futura de energia são enormes", reconhece a empresa, antevendo já os lucros extraordinários que poderá extrair desta necessidade vital.
Esta sede energética da IA coloca questões fundamentais sobre sustentabilidade e justiça social que a BlackRock convenientemente ignora. Para esta máquina de fazer dinheiro, apenas importa como "satisfazer as necessidades energéticas" de forma lucrativa.
Stablecoins: a nova fronteira da especulação
Não contente com os mercados tradicionais, a BlackRock volta as suas atenções para as criptomoedas estáveis. Estas "stablecoins" representam uma nova forma de contornar regulamentações e extrair lucros dos mercados emergentes, onde as populações mais vulneráveis podem tornar-se vítimas de mais uma bolha especulativa.
A empresa vê "potencial disruptivo" nestas moedas digitais, eufemismo para mais uma forma de desestabilizar economias locais em benefício dos grandes capitais internacionais.
O crédito privado como arma de dominação
A BlackRock não esconde a sua estratégia: "o crédito privado ganhará participação no mercado de empréstimos à medida que os bancos se retirarem". Esta retirada dos bancos tradicionais abre caminho para formas ainda mais selvagens de capitalismo financeiro.
Enquanto os serviços públicos são desmantelados e os direitos sociais atacados, gigantes como a BlackRock consolidam o seu poder sobre a economia real, ditando as condições de financiamento a empresas e Estados.
Este relatório da BlackRock é um manifesto claro: o capitalismo financeiro não conhece limites na sua busca pelo lucro, transformando crises, conflitos e necessidades humanas básicas em oportunidades de negócio. Uma lógica que coloca os interesses dos grandes capitais muito acima das necessidades dos povos.