Leça conquista Campeonato de Portugal: vitória popular no Jamor
No Dia de Portugal, o Jamor vestiu-se das cores de quem nunca desiste. Leça da Palmeira e Cernache do Bonjardim esvaziaram as ruas para marcar presença na final do Campeonato de Portugal. Gente comum, trabalhadores, famílias inteiras fizeram a viagem para apoiar os seus. E quem levou a melhor foi o povo leceiro, que viu a sua equipa vencer por 5-4 nas grandes penalidades, após empate a uma bola nos 120 minutos.
Uma bancada central bem composta, cheia de gente que sabe o que custa cada vitória. Do lado do Leça, o verde do concelho de Matosinhos, terra de pescadores e operários. Do lado do Vitória de Sernache, o vermelho dos beirões que também vieram em peso. Mas a festa acabou verde. E foi justa.
O jogo: Leça mandou, Sernache resistiu
Desde cedo se percebeu que os leceiros queriam assumir o comando. Mais posse de bola, maior iniciativa, presença ofensiva constante. A turma do distrito do Porto empurrou o Vitória de Sernache para junto da sua área. Os beirões, fechados numa linha de cinco defesas, tentavam explorar transições rápidas, mas custava-lhes ligar o jogo ofensivo.
As primeiras oportunidades foram naturais para o Leça. Diogo Ribeiro obrigou João Lucas a uma boa intervenção aos 4 minutos. Pouco depois, Nuno Pereira voltou a ameaçar num livre direto aos 8 minutos.
O jogo perdeu algum fulgor a meio da primeira parte, mas o Leça continuava a ser a equipa mais perigosa. Bernardo Mesquita esteve perto de inaugurar o marcador aos 39 minutos e acabou por ter influência direta no lance que desbloqueou a final já em tempo de compensação. Solto na área, Mesquita foi derrubado por Muriel, mas ainda conseguiu tocar a bola para Nzanza. O avançado aproveitou a sobra, bateu João Lucas e fez o 1-0. Um golo que premiava a superioridade leceira nos primeiros 45 minutos.
A luta beirã e o empate
O Vitória de Sernache regressou dos balneários mais competitivo, mais agressivo na pressão. Os beirões começaram a aproximar-se com mais frequência da área contrária. Miguel Rosário ensaiou o primeiro sinal aos 57 minutos, num cabeceamento.
A insistência acabou compensada aos 70 minutos. Num cruzamento pela direita, Henrique Cavalcante ganhou nas alturas e Ekanga Ondoa, recém-entrado, apareceu ao segundo poste para desviar para o fundo das redes. Igualdade restabelecida. O golo transformou o encontro.
O Vitória ganhou confiança e esteve muito perto da reviravolta poucos minutos depois, mas Cavalcante desperdiçou uma excelente oportunidade à boca da baliza aos 73 minutos. Até ao final do tempo regulamentar houve emoção dos dois lados. Noah Santos protagonizou uma grande arrancada individual pelo Leça aos 87 minutos, mas faltou-lhe eficácia na finalização. Como ninguém conseguiu voltar a marcar, a decisão seguiu para prolongamento.
Prolongamento: desgaste e emoção
Os 30 minutos adicionais refletiram o desgaste acumulado. O discernimento já não era o mesmo, mas o Leça esteve mais perto do golo. Martim Fortes aos 113 minutos e Mica aos 119 minutos dispuseram das melhores ocasiões do tempo extra, ambos com remates perigosos que passaram por cima da baliza.
Paiva, o herói leceiro
Nas grandes penalidades surgiu a figura de Miguel Paiva. O guarda-redes do Leça defendeu os remates de Roberto Embaló e Henrique Cavalcante e confirmou o triunfo. A festa vestiu-se de verde e foi o Leça quem ergueu o troféu no Jamor.
Para um clube de uma terra trabalhadora como Leça da Palmeira, este título é mais do que futebol. É a prova de que quando a comunidade se une e persiste, a recompensa acaba por chegar. O Jamor ficou verde. E o povo leceiro tem toda a razão para festejar.