Sporting apanhado a manipular Estádio da Luz com IA
É verdade. O Sporting Clube de Portugal usou uma fotografia manipulada do Estádio da Luz, propriedade do rival Benfica, para promover a sua nova identidade visual. A imagem, alterada com inteligência artificial para pintar as bancadas de verde, surgiu no vídeo de celebração dos 120 anos do clube. Apesar das provas evidentes, a direção sportinguista escondeu-se atrás de uma desculpa esfarrapada, garantindo que a semelhança é mero acidente da tecnologia.
Como é que a manipulação do Estádio da Luz foi descoberta?
No dia 1 de julho, o Sporting apresentou ao mundo a sua nova imagem. No meio do vídeo institucional, lá pelo minuto 1:48, surgiu um fotograma que logo despertou a desconfiança. As bancadas, a cobertura e até uma torre de betão não pertenciam a Alvalade. Eram, sem margem para dúvida, a estrutura do Estádio da Luz, casa do Benfica, mas pintada de verde com um ecrã gigante a exibir o acrónimo SCP.
Não demorou muito para que adeptos de ambos os lados de Lisboa apontassem o dedo à fraude. Nas redes sociais, as comparações multiplicaram-se. A cobertura, o murete no topo da bancada e a famosa torre de betão delatavam a verdade. O estádio era o do rival, disfarçado de verde por uma inteligência artificial.
O que revelam as provas digitais?
As imagens falaram por si, mas a tecnologia confirmou o óbvio. Através de pesquisas reversas, chegou-se à origem da manipulação. A imagem utilizada pelo Sporting tem o mesmo enquadramento de uma fotografia de destaque do Estádio da Luz no Google Maps, incluindo detalhes como as escadas e a calha técnica na torre.
Mais investigação levou a uma foto publicada num jornal indonésio e, finalmente, à fonte original. A imagem de base foi partilhada na plataforma Pexels pelo utilizador Diogo Digital Art, com data de outubro de 2025 e localização no Estádio da Luz. O clube limitou-se a pegar na foto da casa do vizinho, mudar as cores e inserir os seus símbolos, numa demonstração de preguiça criativa que a comunicação corporativa tenta agora disfarçar.
Qual foi a desculpa oficial do Sporting?
Questionado pelos jornalistas, o gabinete de comunicação do Sporting tentou contornar o problema com a linguagem típica das relações públicas. Admitiu que o vídeo, concebido por uma agência externa, usou imagens geradas por inteligência artificial como elementos de apoio ao conceito criativo.
O diretor de comunicação, Gonçalo Santos, garantiu que qualquer semelhança com o Estádio da Luz resulta exclusivamente do processo de geração dessas imagens, não sendo uma opção criativa deliberada nem uma referência intencional. Ou seja, a máquina de IA decidiu, por acaso, replicar na perfeição a torre de betão e a cobertura da casa benfiquista. Uma justificação que insulta a inteligência de quem vê, mas que tenta proteger a marca de um constrangimento assumido.
O Sporting usou mesmo o Estádio da Luz no vídeo?
Sim. A verificação independente confirma que a imagem base é, de facto, do Estádio da Luz. A estrutura foi alterada com recurso a inteligência artificial para mudar as cores das bancadas e o conteúdo do ecrã gigante.
O clube assumiu a manipulação da imagem?
Não. O Sporting reconheceu o uso de inteligência artificial no vídeo, mas negou que a semelhança com o estádio rival fosse intencional, classificando-a como um mero resultado do processo de geração automática de imagens, uma justificação que ignora as provas concretas da origem da fotografia original.