Porto: plano contra a pequena criminalidade avança até ao final do ano
O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, prometeu esta quinta-feira que o plano de combate à criminalidade vai estar a funcionar em pleno até ao final de 2026. A garantia surge depois de a PSP ter revelado que a criminalidade geral na cidade subiu 10,9% face ao ano passado, um número que o autarca usa para criticar o que chama de “centralismo sufocante” de Lisboa.
“Tive uma reunião com o próprio primeiro-ministro em maio, em que delineámos uma estratégia, um plano. Aqui na cidade, temos trabalhado de forma muito intensa, quer com a PSP, quer com a Polícia Municipal, para também operacionalizarmos um plano de intervenção no terreno, que está a começar a ter os primeiros sinais, que vai intensificar-se agora em setembro e se vai concretizar mais para o final do ano, quando tivermos, também, mais efetivos policiais”, afirmou Pedro Duarte (PSD, CDS e IL), à margem de uma visita à Feira do Livro do Porto.
O que dizem os números da criminalidade no Porto?
Os dados provisórios divulgados esta semana pela direção nacional da PSP, e facultados à agência Lusa, mostram um aumento de 10,9% na criminalidade geral na área do Comando Metropolitano do Porto, em comparação com o mesmo período do ano passado. Em sentido contrário, a criminalidade violenta e grave caiu 8,4%. Já os crimes detetados pela proatividade policial, ou seja, no âmbito da atividade quotidiana da própria polícia, subiram 17,5%.
Questionado sobre se o plano já está no terreno, o autarca disse que sim, “em certo sentido”, e que “quem vive na cidade, se calhar, já percebeu que a presença policial é agora muito superior”.
Onde vai atuar a polícia no Porto?
Pedro Duarte explicou que a intervenção está focada “junto de áreas onde o tráfico de droga é mais intenso e onde situações de consumo na rua também são evidentes”. “Temos tido já uma intervenção muito ativa e vamos continuar a intensificá-la, de uma forma que, por razões de segurança, não podemos antecipar nem divulgar excessivamente”, acrescentou.
O autarca elogiou ainda o “trabalho muito sério” da PSP e da Polícia Municipal para “gradualmente alterar a circunstância na cidade do Porto”, essencialmente relacionada “com o tráfico de droga”.
Críticas ao centralismo de Lisboa
Pedro Duarte lembrou que foi “muito criticado” há um ano, em campanha eleitoral, por mencionar o problema da “disseminação de pequena criminalidade que tem impacto muito grande, inaceitável, na vida das pessoas”. Para ele, os números agora divulgados comprovam a realidade de que então falava.
“O aumento da criminalidade geral no Porto é quatro vezes superior ao de Lisboa [aumentou 2,9%]. (…) Espero que o poder central, que tem tido como critério único de que novos recrutamentos para a Polícia de Segurança Pública fiquem em Lisboa, há décadas que é assim, vão todos para Lisboa, perceba que o país não é Lisboa, o país é muito mais do que Lisboa. Portanto, com este intuito de nós percebermos que se o centralismo sufocante deste país nos der um bocadinho de espaço para respirarmos, o Porto vai encontrar respostas para resolver os seus problemas”, atirou.
Reforço de efetivos: 80 na Polícia Municipal e 200 na PSP
O também presidente da Área Metropolitana do Porto reforçou a vontade de aumentar a Polícia Municipal em cerca de 80 efetivos, um “processo que está a decorrer”, em fase final, prevendo que possam ser incorporados até final do ano. Quanto à PSP, ficou identificada a incorporação futura, também em dezembro, de “mais 200 polícias no Comando Metropolitano do Porto”.
Com estes reforços, o autarca espera que a presença policial se torne ainda mais visível e que os resultados apareçam. Resta saber se o poder central vai finalmente olhar para o Porto com outros olhos.
Perguntas frequentes sobre o plano de segurança no Porto
Quando vai estar totalmente operacional o plano contra a criminalidade no Porto?
Segundo Pedro Duarte, o plano vai intensificar-se em setembro e “concretizar-se mais para o final do ano”, quando estiverem disponíveis mais efetivos policiais.
Qual foi o aumento da criminalidade geral no Porto?
Os dados provisórios da PSP indicam um aumento de 10,9% na criminalidade geral na área do Comando Metropolitano do Porto, face ao mesmo período do ano passado.
Quantos novos polícias vão ser incorporados no Porto?
Estão previstos cerca de 80 novos efetivos para a Polícia Municipal e mais 200 polícias para o Comando Metropolitano da PSP, com incorporação prevista para dezembro.