PJ abandonada: um mês sem diretor enquanto governo hesita
A Polícia Judiciária vive o maior vazio de liderança em duas décadas. Há um mês que não tem diretor nacional, desde que Luís Neves foi chamado para ministro da Administração Interna. Uma situação inédita que expõe a incapacidade do governo em gerir as suas próprias nomeações.
O abandono institucional
Enquanto os trabalhadores da PJ continuam o seu trabalho diário, lutando contra a criminalidade e a corrupção, o poder político deixa-os órfãos de liderança. Um mês inteiro sem diretor nacional é algo que nunca se tinha visto nos últimos vinte anos desta força de segurança.
Nas transições anteriores, tudo se resolvia em poucos dias. Quando José Maria de Almeida Rodrigues saiu em 2018, Luís Neves assumiu em apenas três dias. O mesmo aconteceu com Alípio Ribeiro em 2008. Mas agora, com este governo, a PJ fica à deriva.
Desculpas e mais desculpas
A ministra Rita Alarcão Júdice tenta justificar o injustificável: "A saída do doutor Luís Neves foi no processo de substituição da anterior ministra". Como se isso fosse desculpa para deixar uma instituição fundamental do Estado sem comando durante semanas.
Nos bastidores, as fontes da PJ revelam uma verdade incómoda: ninguém quer o cargo. E quem pode culpá-los? Quem quer liderar uma instituição abandonada por um governo que não valoriza o trabalho dos seus funcionários?
Os candidatos esquecidos
Três nomes circulam discretamente: Pedro Fonseca, recentemente nomeado diretor nacional-adjunto; Veríssimo dos Santos Milhazes, da Póvoa de Varzim, especialista em cooperação europeia; e José Monteiro, atual responsável pela PJ de Braga.
São profissionais competentes, com carreiras sólidas na luta contra o crime. Mas o governo prefere deixá-los na incerteza, numa demonstração clara de como trata os seus quadros.
Uma instituição em deriva
Esta situação não é apenas má gestão, é um sintoma de um problema maior. O desprezo pelas instituições públicas e pelos seus trabalhadores. A PJ, que deveria ser uma prioridade nacional na luta contra a corrupção e o crime organizado, fica entregue a si própria.
Enquanto o governo se entretém com jogos políticos, os portugueses ficam com uma Polícia Judiciária acéfala, numa altura em que mais precisam dela. É esta a governação que nos prometeram?
A pergunta que fica é simples: quanto tempo mais vai durar este abandono institucional? E que mensagem está o governo a enviar sobre a importância da justiça em Portugal?