Petróleo a 100 dólares e Wall Street treme. A guerra e a bolsa não perdoam
O barril de Brent voltou a tocar os 100 dólares esta quinta-feira, num regresso que chega com o cheiro a pólvora do Médio Oriente. Enquanto isso, em Wall Street, os investidores já não se contentam com bons resultados das gigantes tecnológicas. O que interessa agora é o futuro, e ele parece negro para muitos.
A guerra no Médio Oriente escalou de forma perigosa. O estreito de Ormuz já não é o único ponto de tensão. Agora, o Canal do Suez entrou na mira dos houthis, aliados do Irão, que atacaram dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho. Isto significa que cerca de 20% a 30% do petróleo mundial está em risco. E não é só o petróleo: grande parte do comércio entre a Ásia e a Europa passa por ali. Se as rotas fecharem, a economia global pode sofrer um golpe duro.
O preço do Brent disparou 13,5% numa semana, fechando nos 100,82 dólares. O WTI, a referência americana, também subiu 12,1%, para os 92,44 dólares. É o valor mais alto desde maio, depois de uma calma enganadora que tinha levado os preços para os 72 dólares.
Wall Street em pânico com os gastos em IA
Enquanto o petróleo arde, as bolsas europeias caíram entre 1% e 2%. Mas foi em Wall Street que o verdadeiro choque aconteceu. A Alphabet, dona da Google, e a Tesla apresentaram contas do segundo trimestre. Os resultados até eram bons, mas os investidores só olham para o futuro. E o futuro assusta.
A Alphabet anunciou que vai gastar entre 195 e 205 mil milhões de dólares em 2026, sobretudo em inteligência artificial. O problema é que o fluxo de caixa livre será negativo em 5,9 mil milhões. A Tesla, por seu lado, promete 25 mil milhões para táxis autónomos e robôs. Mas ninguém acredita muito nisso. As ações da Alphabet caíram 6,59% e as da Tesla afundaram 13,79%.
Os mercados já não se deixam enganar por números bonitos. Querem saber se o dinheiro vai render. E, para já, a resposta é não.
O que esperar dos próximos dias?
A guerra não vai desaparecer do radar. E a época de resultados continua. Na próxima quarta-feira, é a vez da Meta e da Microsoft. Depois, Amazon e Apple. A Nvidia fecha o ciclo a 26 de agosto. As 'Sete Magníficas' vão continuar a ditar o ritmo. Mas, com o petróleo a 100 dólares e a IA a queimar dinheiro, o cenário é de tempestade.
Para quem vive do salário, o que importa é que o preço do combustível vai subir. E, com ele, tudo o resto. A guerra lá longe chega sempre ao bolso de quem está cá.