Guerra na Ucrânia: enviados de Trump em Kiev, mas o povo continua a morrer
Os enviados de Donald Trump chegam este domingo a Kiev para se reunirem com Volodymyr Zelensky, depois de três horas de conversações em Moscovo com Vladimir Putin. O Kremlin fala em negociações “substantivas, francas e construtivas”, mas, enquanto os poderosos negociam, os bombardeamentos continuam a matar gente comum. Pelo menos sete mortos este sábado, dois em Bucha e cinco na região de Dnipro. A paz, essa, continua longe.
O que trazem os enviados de Trump a Kiev?
Steve Witkoff e Jared Kushner, os dois representantes da Casa Branca, chegam a Kiev pela primeira vez. Trazem uma proposta para pôr fim à guerra, mas os detalhes são secretos. A Casa Branca confirmou que foram discutidos “planos substanciais para os próximos passos”. Trump, que já sugeriu que a Ucrânia pode ter de ceder território, limita-se a dizer: “Temos uma ideia para a paz”.
Putin, que recebeu os enviados numa grande sala do Kremlin, foi claro: “A situação não é simples”. O conselheiro do Kremlin, Yuri Ushakov, descreveu a conversa como “construtiva, extremamente franca e assente na confiança”. Os russos dizem-se confiantes em “conquistar os objetivos definidos”.
Cessar-fogo temporário ou jogo de aparências?
Na sexta-feira, os aeroportos de Kiev foram alvo de ataques russos. Zelensky denunciou a manobra como uma tentativa de impedir a visita dos enviados. No sábado, os bombardeamentos mataram sete pessoas, incluindo duas em Bucha, símbolo dos horrores da ocupação russa. Horas depois, o Kremlin anunciou que Putin ordenou uma suspensão de três dias dos ataques aéreos a Kiev, “para dar tempo” às conversações.
Zelensky, por seu lado, garantiu que a Ucrânia não bombardeará território russo durante as negociações e pediu um cessar-fogo mútuo. Mas a desconfiança é total. Este é o conflito mais mortífero na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, e as promessas de paz têm-se sucedido sem resultados concretos desde o regresso de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025.
Paz para quem?
Enquanto os enviados voam entre Moscovo e Kiev, são os civis que pagam o preço. A cada ronda de negociações, mais mortos, mais destruição, mais famílias de luto. A pergunta que fica no ar é simples: esta “ideia para a paz” serve os interesses dos povos ou apenas os cálculos geopolíticos das grandes potências?
Os planos concretos só devem ser anunciados nas próximas semanas. Até lá, os canhões continuam a falar e a morte segue a sua rotina diária na Ucrânia.
Perguntas frequentes sobre as negociações de paz
Quem são os enviados dos EUA em Kiev?
Steve Witkoff e Jared Kushner, representantes de Donald Trump, estão em Kiev para se reunirem com Volodymyr Zelensky. É a primeira visita dos dois à capital ucraniana.
O que foi discutido em Moscovo?
As conversações com Vladimir Putin duraram três horas e terminaram com uma avaliação positiva do Kremlin. Foram apresentadas ideias para um possível fim do conflito, mas os detalhes não foram divulgados.
Há um cessar-fogo em vigor?
Putin ordenou uma suspensão de três dias dos ataques aéreos a Kiev, mas os bombardeamentos noutras regiões continuam. Zelensky pediu um cessar-fogo mútuo durante as negociações.