Pavlidis na corda bamba: quando o futebol espelha as pressões do quotidiano
Vangelis Pavlidis vive dias amargos no Benfica. O avançado grego, que até há pouco era celebrado pelos adeptos da Luz, encontra-se agora numa espiral de confiança abalada que qualquer trabalhador reconheceria no seu próprio quotidiano.
Dois falhanços consecutivos, um frente ao Porto nos quartos da Taça e outro contra a Juventus na Champions, bastaram para que o jogador de 27 anos se visse confrontado com a realidade cruel do desempenho sob pressão. Uma realidade que milhares de portugueses conhecem bem nos seus locais de trabalho.
Quando o erro se torna pesadelo
No Dragão, Pavlidis teve a oportunidade de empatar o clássico já nos descontos, mas falhou com a baliza escancarada. Uma semana depois, em Turim, escorregou no momento de bater um penálti que poderia ter relançado as esperanças benfiquistas na Liga dos Campeões.
A imagem do jogador a tapar o rosto com a camisola após o apito final em Itália é um retrato doloroso da fragilidade humana perante a pressão. Quantos trabalhadores não se reconhecem neste gesto de desespero?
Curiosamente, era a primeira vez que Pavlidis falhava uma grande penalidade pelo Benfica. Nas 15 cobranças anteriores, havia sido implacável. A última falha remontava a 2019, quando ainda jogava no Willem, na Holanda.
A terapia da Luz para curar feridas
O regresso ao Estádio da Luz, frente ao Estrela da Amadora, pode ser o bálsamo necessário para o internacional grego. Em casa, Pavlidis já mostrou o seu valor esta temporada, com destaque para os hat-tricks contra Estoril e Arouca.
Contra o Estrela, o historial sorri-lhe: em três jogos, sempre fez estragos, contribuindo para três vitórias benfiquistas. Do outro lado, estará uma equipa da Amadora ferida pela goleada caseira sofrida frente ao Estoril (0-5) e desfalcada de peças importantes como Oumar Ngom e Kikas.
O reencontro com Sidny Cabral
O jogo de domingo reserva ainda um momento especial: Sidny Cabral, reforço de inverno do Benfica, vai reencontrar o clube que o ajudou a dar o salto para a Luz. O cabo-verdiano de 23 anos brilhou no Estrela na primeira metade da época e agora pode defrontar os antigos companheiros.
Mourinho tem apostado no jovem ala, que já foi titular no Dragão, e pode voltar a contar com ele para este desafio marcado para as 18h00 de domingo.
Pavlidis precisa de golos como qualquer trabalhador precisa de reconhecimento. No futebol, como na vida, a confiança constrói-se dia a dia, jogo a jogo.