Mundial 2026: Queiroz é o único português nos bancos
A seleção portuguesa vai estar presente no Campeonato do Mundo de 2026, mas o banco das quinas terá uma voz espanhola. Roberto Martínez comanda a nossa seleção, enquanto os técnicos lusos têm de emigrar para sobreviver na elite do futebol. A honra nacional ficou entregue a um veterano de 73 anos que aceitou o desafio em África.
A emigração forçada do futebol luso
Carlos Queiroz foi anunciado em abril como selecionador do Gana. Com este regresso, ele salva Portugal de uma situação inédita nos últimos 20 anos: a ausência total de treinadores portugueses nas fases finais do maior evento futebolístico do planeta.
A verdade é que o percurso do técnico luso até ao Mundial foi uma autêntica luta pela sobrevivência profissional. Passou pelo Qatar, de onde saiu logo na fase inicial, e por Omã, que falhou o apuramento. Foi numa fase tardia, quando já se perspetivava o vazio lusitano na prova, que surgiu a oportunidade de orientar a sua terceira seleção durante as qualificações. O Gana garantiu a vaga e Queiroz agarrou a boia, sucedendo a Otto Addo.
Um vazio que cheira a desordem federativa
A última vez que Portugal ficou sem representação nos bancos foi no Mundial2006, na Alemanha. Na altura, o banco luso era ocupado pelo brasileiro Luiz Felipe Scolari. Antes disso, temos de recuar a 1986, no México. José Torres liderava a seleção, mas aquele torneio fica na memória por razões bem mais sombrias. Foi o mundial da revolta dos jogadores contra a direção da Federação, uma luta de classes em pleno relvado, onde os atletas exigiam o que lhes era de direito e acabaram eliminados na primeira fase, esmagados pelo poder instituído.
Nas quatro edições seguintes ao Mundial2006, tivemos sempre pelo menos um selecionador português. Em 2014 e 2022 chegámos a ter três técnicos lusos em competição. Mas para 2026, as qualificações fecharam as portas aos nossos. A seleção nacional, repita-se, está nas mãos de um espanhol.
O peso da história e a resistência de Queiroz
Aos 73 anos, Queiroz vai disputar a sua quinta fase final de Mundiais. Esteve em 2010 com Portugal, e em 2014, 2018 e 2022 com o Irão. Iguala assim o recorde de presenças consecutivas do sérvio Bora Milutinovic. O brasileiro Carlos Alberto Parreira tem seis participações no total, mas não foram seguidas.
Queiroz qualificou Portugal para o torneio em 2010, tal como já tinha feito com a África do Sul em 2002 e com o Irão em 2014 e 2018.
No currículo do velho comandante constam ainda dois momentos de glória para o futebol luso: os títulos mundiais de sub-20 conquistados em 1989 na Arábia Saudita e em 1991, com Portugal como anfitrião. Uma geração de ouro que provou ao mundo o valor da nossa formação.
Os outros nomes que marcaram a presença lusa
- 1966: Otto Glória (brasileiro) levou Portugal ao terceiro lugar, a melhor classificação de sempre.
- 2002: António Oliveira liderou uma edição que deixou más memórias.
- 2006: Scolari (brasileiro) esteve no banco.
- 2010: Queiroz assumiu o comando, caindo nos oitavos.
- 2014: Paulo Bento não passou da fase de grupos.
- 2018 e 2022: Fernando Santos, campeão europeu em 2016 e vencedor da Liga das Nações em 2019, caiu nos oitavos e quartos respetivamente.
Curiosamente, em 2014, Paulo Bento e Queiroz tiveram a companhia de Fernando Santos, que treinava a Grécia. Em 2022, Santos e Queiroz juntaram-se a Paulo Bento, este ao serviço da Coreia do Sul.
O Mundial da globalização sem brasileiros
A 23.ª edição do Campeonato do Mundo começa na quinta-feira e vai até 19 de julho. Pela primeira vez na história, a prova reúne 48 seleções, espalhadas pelo Canadá, México e Estados Unidos.
Mas esta edição guarda outra particularidade reveladora dos novos tempos do futebol negócio. Deve ser o primeiro Mundial sem a presença de um selecionador brasileiro em 96 anos de história. O famoso