Espanha volta a sonhar 16 anos depois: as praças enchem-se de esperança popular
Dezasseis anos depois do golo de Iniesta que deu a Espanha o seu único Mundial, as ruas de Madrid voltaram a encher-se. Na Praça Colombo, dezenas de milhares de pessoas, vindas de todo o país, juntaram-se para ver a final do Mundial2026 contra a Argentina. O calor apertava, 34 graus, mas ninguém arredava pé. A camisola de Lamine Yamal, o novo herói, misturava-se com a de Iniesta, o velho ídolo. É a história de um país que, entre crises e desigualdades, encontra no futebol um momento de união e de festa popular.
O regresso às ruas: uma festa que é de todos
Daniel tem 22 anos e veio de Córdova com três amigos. Lembra-se bem de 2010: o pai, depois do golo, levantou-o pelas mãos e fez-lhe a máquina de lavar. Hoje, veste a camisola de Iniesta que comprou para não esquecer. Como ele, muitos outros viajaram horas para estar em Madrid. A Praça Colombo tornou-se o centro do país. Gente de Valência, de Tenerife, de Mataró. Jovens, na sua maioria, que querem viver a final na rua, com muita gente, e esperar o regresso da equipa.
Lamine Yamal: o miúdo que calou os racistas
Lamine Yamal, de 19 anos, é o nome que domina. Filho de imigrantes de Marrocos e da Guiné Equatorial, cresceu em Mataró, nos arredores de Barcelona. E não é só pelo futebol que se destaca. Numa conferência de imprensa, respondeu ao ex-primeiro-ministro Mariano Rajoy, que escreveu que a França jogava sem franceses, numa alusão racista às origens africanas dos jogadores. Lamine não se calou: Amanhã vamos jogar um dos jogos mais bonitos que se pode ter num mundial. O futebol, se serve para alguma coisa, é para integrar a sociedade. Palavras que ecoam nas ruas e nas redes sociais.
O que esperar da final?
A final é em New Jersey, nos Estados Unidos. As apostas inclinam-se para uma vitória espanhola, como há 16 anos, por 1-0. Mas mais do que o resultado, o que importa é o que se vive nas ruas. Ecrãs gigantes em todo o país, desde Madrid até Tegueste, uma pequena localidade de 11 mil pessoas em Tenerife. O futebol como espaço de encontro, de luta, de esperança. Para um país que já passou por tanto, este é um momento de respiração coletiva.
FAQ
Por que é que as praças se enchem tanto?
Porque o futebol é uma das poucas coisas que junta toda a gente, independentemente da classe social ou da origem. É um momento de festa popular, de partilha, de esquecer as dificuldades do dia a dia.
Quem é Lamine Yamal?
É um jovem jogador de 19 anos, filho de imigrantes, que se tornou o herói da seleção espanhola neste Mundial. Além do talento, destaca-se pela postura contra o racismo e pela defesa da integração.
O que disse Mariano Rajoy?
O ex-primeiro-ministro escreveu que a França jogava sem franceses, numa alusão racista às origens africanas dos jogadores. As palavras foram condenadas por ministros de França e Espanha, e Lamine Yamal respondeu com dignidade.