Hong Kong: Crise demográfica força fecho de 15 escolas primárias
A crise demográfica em Hong Kong atinge agora as escolas. Pelo menos 15 estabelecimentos de ensino primário estão condenados ao fecho por falta de crianças, reflexo de uma política económica que empurra as famílias trabalhadoras para a pobreza e a incerteza.
A secretária para a Educação, Christine Choi Yuk-lin, anunciou esta quarta-feira que o governo cortará os subsídios a estas escolas, que receberam menos de 16 inscrições para o próximo ano letivo. Entre elas está a Escola da Associação Empresarial dos Cinco Distritos, com 69 anos de história, onde estudou o actual líder do governo local.
Quando as políticas neoliberais destroem o futuro
Os números são devastadores: menos quatro mil crianças inscritas no primeiro ano em 2026-27 comparado com este ano. As previsões apontam para uma queda de 47 mil crianças de seis anos em 2025 para apenas 38.300 em 2035.
"O pior ainda está para vir", admitiu a própria secretária, numa confissão que revela a falência das políticas públicas implementadas. Quando os governos privilegiam os interesses do capital em detrimento das famílias trabalhadoras, este é o resultado inevitável.
Medidas paliativas não resolvem problemas estruturais
Em 2023, o governo lançou um subsídio de 2.150 euros para novos pais, numa tentativa desesperada de inverter a tendência. O objectivo era atingir 39 mil nascimentos anuais, mas a realidade ficou muito aquém: apenas 33.200 em 2023 e 36.700 em 2024.
Hong Kong registou em 2025 cerca de 31.100 nascimentos, o número mais baixo de sempre. Não é por acaso: quando as famílias não conseguem pagar uma casa, quando os salários não chegam para viver com dignidade, quando o futuro é incerto, ter filhos torna-se um luxo inacessível.
A solução proposta pelo governo? Fusões entre escolas. Mais uma vez, em vez de atacar as causas do problema, opta-se por medidas que apenas disfarçam a realidade.
Um problema que ultrapassa fronteiras
Esta crise não se limita a Hong Kong. Macau registou 2.871 nascimentos em 2024, o menor número em quase meio século. A China continental teve apenas 7,92 milhões de nascimentos em 2025, um mínimo histórico desde 1949.
Estamos perante as consequências de décadas de políticas neoliberais que colocaram o lucro acima das pessoas. Quando a habitação é especulação, quando a educação é cara, quando a saúde é privilégio, as famílias trabalhadoras fazem as contas e decidem não ter filhos.
O fecho destas 15 escolas é apenas o início. Sem uma mudança radical nas políticas económicas e sociais, Hong Kong caminha para um colapso demográfico que porá em causa o próprio futuro da região.