Marcelo vai ao Vaticano enquanto Portugal sofre com tempestade
Enquanto o país ainda conta os estragos da tempestade Kristin, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, encontra-se esta segunda-feira com o Papa Leão XIV no Vaticano. Uma visita que levanta questões sobre as prioridades do chefe de Estado num momento em que as famílias portuguesas enfrentam dificuldades.
O timing da visita não podia ser mais controverso. Marcelo chegou a Roma no domingo, jantou com o presidente italiano Sergio Mattarella, e hoje visita o túmulo do Papa Francisco antes de se encontrar com o novo Papa. Tudo isto enquanto muitas famílias portuguesas ainda tentam recuperar dos estragos causados pela tempestade que assolou o país.
Uma carta papal que não resolve os problemas do povo
Segundo a Presidência, o encontro vai abordar "especialmente" a situação de calamidade em Portugal e a carta que o Papa enviou aos portugueses sobre os efeitos da tempestade. Mas será que uma carta papal resolve os telhados partidos, as casas alagadas e os prejuízos das famílias trabalhadoras?
Na mensagem enviada ao bispo de Leiria-Fátima, José Ornelas, o Papa comunicou "o seu pesar pelas pessoas que perderam a vida". Palavras bonitas, mas que pouco consolam quem perdeu tudo numa tempestade.
Prioridades questionáveis
Esta é a sexta vez que Marcelo se desloca ao Vaticano como chefe de Estado. O Presidente justifica sempre estas visitas com razões históricas, lembrando que a Santa Sé foi a primeira entidade a reconhecer Portugal como Estado independente em 1179. Mas será esta a prioridade quando o país enfrenta uma crise social e económica?
"Comecei pelo Vaticano porque nós devemos a independência de Portugal a um gesto do Papa", repetiu Marcelo no domingo. Uma justificação que soa vazia quando tantas famílias portuguesas lutam para manter a sua própria independência económica.
Campanha eleitoral em segundo plano
A visita acontece em pleno período de campanha para a segunda volta das presidenciais, que se realiza no domingo entre António José Seguro e André Ventura. Mais uma vez, Marcelo escolhe estar longe do país num momento crucial para a democracia portuguesa.
O Presidente vai também convidar o Papa a visitar Portugal em 2027, aproveitando os 110 anos de Fátima. Mais um evento religioso que custará milhões aos cofres públicos, enquanto faltam recursos para apoiar as vítimas de catástrofes naturais.
Um presidente ausente
A cerca de um mês de cessar funções, Marcelo escolheu terminar como começou: longe das preocupações reais do povo português. Enquanto ele passeia pelo Vaticano, muitas famílias ainda esperam apoio efectivo para reconstruir as suas vidas após a tempestade.
Esta visita simboliza bem o que tem sido este mandato: muita pompa, muitas cerimónias, mas pouca proximidade com os problemas concretos de quem trabalha e sofre neste país.