De algoz a vítima: Suécia goleada 5-1 no Mundial 2026
A selecção da Suécia foi esmagada pelos Países Baixos por 5-1 neste sábado, no segundo jogo de ambas as equipas no grupo F do Mundial 2026. A mesma dose que os nórdicos aplicaram à Tunísia na jornada inaugural foi-lhes devolvida com a mesma frieza, deixando a vida complicada para os dois primeiros lugares do grupo.
Como é que os Países Baixos destruíram a Suécia?
À entrada para esta partida, disputada no mesmo recinto que recebeu o Portugal-RD do Congo, a pressão estava toda do lado neerlandês. O empate com o Japão na primeira jornada fazia com que qualquer resultado que não fosse a vitória colocasse os homens de Ronald Koeman numa posição delicada na classificação. E Koeman respondeu como quem sabe o que faz: tirou Summerville, que até tinha marcado frente aos nipónicos, e fez entrar Brobbey, avançado do Sunderland, deslocando Malen para o flanco direito do ataque.
A alteração resultou em cheio. Cinco minutos bastaram para que o avançado de 24 anos fizesse exactamente o que lhe pediram: recolheu um lançamento longo do guarda-redes, entregou a Reijnders, que serviu Gakpo para cruzar. Brobbey meteu a bola na baliza e entrou junto com ela, como quem volta a casa. Era o segundo golo na selecção do jogador formado no Ajax, que deixou o emblema neerlandês por 20 milhões de euros rumo à Premier League.
Onze minutos depois, a mesma história: cruzamento rasteiro de Dumfries, Brobbey desviou à boca da baliza, ganhando a frente ao seu opositor directo. 2-0. A Suécia estava apática, sem reacção, incapaz de fazer funcionar a dupla Gyökeres-Isak. O futebol vertical e esticado simplesmente não saía. Na defesa, a equipa de Graham Potter sofria, especialmente quando os neerlandeses aceleravam pelos flancos.
Que oportunidades criou a Suécia na primeira parte?
Com dois golos de vantagem, os Países Baixos abrandaram o ritmo. Depois da primeira pausa de hidratação, a Suécia começou, aos poucos, a conseguir alongar o seu futebol e a aproximar-se da baliza de Verbruggen. Gyökeres, em algumas das suas arrancadas, obrigou o guarda-redes neerlandês a um par de defesas atentas. Mas foi Ayara, quase em cima do apito para o intervalo, quem teve a melhor ocasião de golo da Suécia em todo o primeiro tempo, num remate à entrada da área para grande defesa de Verbruggen.
Que mudanças mudaram o jogo na segunda parte?
Koeman mexeu ao intervalo: tirou Malen, inconsequente naquela posição mais descaída para a direita, e fez entrar Summerville, avançado do West Ham. Três minutos bastaram. Summerville desequilibrou a defesa sueca numa arrancada, serviu Dumfries, e este cruzou venenosamente para Gakpo desviar para golo. 3-0.
Se a Suécia tinha montado alguma estratégia para dar a volta ao jogo, este terceiro golo desfê-la num instante. Seis minutos depois, pior ainda: Gakpo marcou novamente, desta vez depois de uma perda de bola de Isak no ataque. 4-0. O vencedor estava encontrado.
Potter promoveu substituições na Suécia, mas só Elanga, extremo do Newcastle, conseguiu realmente fazer alguma diferença. Numa arrancada sua, a selecção nórdica ainda atenuou a derrota, aos 58 minutos. Depois do golo de honra, só um remate de Isak, já muito perto dos noventa, voltou a incomodar Verbruggen.
E quando a Suécia procurava diminuir a desvantagem, com muita gente inclinada para a frente, ainda houve tempo para o quinto golo neerlandês. Summerville marcou novamente neste Mundial e aplicou aos suecos a mesma receita que estes tinham aplicado à Tunísia. Justiça poética ou simplesmente a lei do mais forte, o resultado ficou lá: 5-1.
Por que razão a vida da Suécia ficou complicada no grupo F?
Com esta derrota avassaladora, a Suécia de Gyökeres, Lagerbielke e Lindelof fica com a vida complicada para garantir um dos dois primeiros lugares do grupo F. A diferença de golos sofrida pode ser determinante numa fase em que cada ponto conta e cada golo pesa. Os Países Baixos, por seu lado, respiram aliviados e reassumem o controlo do grupo.
Quem são os jogadores portugueses na selecção da Suécia?
A Suécia conta com rostos conhecidos do futebol português: Gyökeres, ex-sportinguista, é o nome mais sonante, enquanto Lagerbielke veio do Braga e Lindelof é ex-benfiquista. São jogadores que passaram pelos nossos clubes e que agora carregam as cores da selecção nórdica no Mundial 2026.
O Mundial 2026 é justo para as selecções mais pequenas?
Quando se vê uma goleada como esta, é impossível não pensar na distância que separa as selecções com mais recursos das que lutam por sobrevivência. A Suécia, que tinha goleado a Tunísia, foi agora goleada pelos Países Baixos. O futebol internacional continua a ser, em grande medida, o reflexo das desigualdades que marcam o mundo: quem tem mais, ganha mais. E quem não tem, fica pela beira do caminho.