Ciência na Rua regressa a Estremoz: arte e ciência contra o desperdício
Depois de doze anos de silêncio, o festival Ciência na Rua volta este sábado, 20 de Junho, a Estremoz. O Rossio Marquês de Pombal vai fechar ao trânsito e abrir às pessoas, à ciência e à arte, das 16h até à 01h. A entrada é livre, como deve ser quando se trata de conhecimento e cultura.
O que está em jogo neste regresso?
A nona edição do Ciência na Rua chega com um tema que não podia ser mais atual: «sustentabilidade insustentável». Por outras palavras, o que estamos a fazer ao planeta e a nós próprios. O Centro Ciência Viva de Estremoz organiza a iniciativa com o município e a Universidade de Évora, graças a financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência. Rui Dias, geólogo e presidente da comissão científica do Centro Ciência Viva, é claro: os sete temas do festival servem para «compreendermos o nosso presente e, principalmente, o nosso futuro».
Que temas vão estar em debate?
Os sete subtemas do festival são o esqueleto desta noite de reflexão e espectáculo:
- Terra, um planeta dinâmico
- Biodiversidade: evolução versus extinções
- Quantos somos? O que usamos?
- A energia que nos move
- O que sujamos? O que desperdiçamos?
- Os nossos climas: passado, presente e futuro
- O que fazer?
São perguntas que incomodam. Falar do que sujamos e desperdiçamos, num país onde se deitam toneladas de comida para o lixo enquanto famílias contam cêntimos, é também um acto político.
Que espectáculos vão invadir as ruas?
A companhia de teatro de marionetas Valdevinos, de Agualva-Cacém, traz o Auto da Criação do Mundo. Com Aristóteles, Ptolomeu, Galileu e Einstein, a Valdevinos fala-nos das nossas origens enquanto os cientistas mostram o que continuamos a aprender com planetas e luas.
A Absurda, de Vila Nova de Famalicão, apresenta Heqet, uma visão liberta dos constrangimentos biológicos e geológicos que governam o planeta. A biodiversidade explicada de outra forma.
O Teatro do Mar, de Sines, traz Inânia, do latim «vazio, coisa sem valor». É o retrato do que estamos a perder. Físico, dança e acrobacia aérea para nos lembrar que vamos deixando para trás laços e valores essenciais. Segundo o programa, quem visitar o festival vai sendo «esmagado com as dimensões dos lixos e desperdícios da forma como vivemos». A crudeza das palavras não é casual.
A Pia, de Pinhal Novo, apresenta O2. O desafio é imaginar uma sociedade onde o acesso ao oxigénio é um luxo. Num mundo onde o ar limpo já é privilégio, a metáfora escreve-se sozinha.
O grupo espanhol Nueveunu traz Sinergia Street, um espectáculo de circo sobre energia. Os investigadores, por seu lado, explicam porque somos viciados em energia e de onde vem a que consumimos em quantidades colossais.
O encerramento, já pela 01h, fica a cargo da companhia francesa Rémue Ménage, com a parada luminosa Abysses. Uma viagem a um habitat muito para além do que poderíamos imaginar. A pergunta sobre o que fazer fica no ar.
Porque é que este festival importa?
Um festival que fala de desperdício, de energia, de clima e de biodiversidade, no Alentejo, com entrada livre, é também um exercício de democratização do conhecimento. Investigadores da Universidade de Évora vão estar lá, com dezenas de experiências práticas, para ajudar quem passa a perceber os desafios do nosso tempo. Não é pouco, num país onde a ciência ainda parece coisa de elite.
O centro de Estremoz fecha ao trânsito e abre às pessoas. É sábado, a partir das 16h. Vale a pena estar lá.
Perguntas frequentes sobre o Ciência na Rua
Onde e quando é o Ciência na Rua?
O festival decorre no Rossio Marquês de Pombal, no centro de Estremoz, este sábado, 20 de Junho de 2026, das 16h à 01h.
A entrada é paga?
Não. A entrada é livre.
Quem organiza o Ciência na Rua?
O Centro Ciência Viva de Estremoz, em conjunto com o município de Estremoz e a Universidade de Évora.