Benfica inaugura 50 casas de renda acessível e desafia a lógica do mercado
Na próxima terça-feira, 25 de agosto, às 18h00, a Junta de Freguesia de Benfica inaugura o novo edifício habitacional Calhariz-Monsanto, no Calhariz de Benfica. São 50 fogos de renda acessível, um investimento de quase seis milhões de euros, integralmente financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), através do Programa 1.º Direito. Numa altura em que a habitação se tornou um privilégio e não um direito, esta é uma resposta concreta às famílias e aos jovens que querem continuar a viver na freguesia.
O que está em causa com as novas habitações em Benfica?
O empreendimento é constituído por 42 apartamentos T1, quatro T2 e quatro T3, pensados para responder a diferentes perfis e necessidades familiares. A cerimónia de inauguração contará com a presença do presidente da Junta de Freguesia de Benfica, Ricardo Marques, do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, do presidente do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), António Benjamim Costa Pereira, e da presidente da Assembleia de Freguesia de Benfica, Teresa Damásio.
O edifício foi construído num terreno devoluto cedido pela Câmara Municipal de Lisboa à Junta de Freguesia, situado junto à Residência Universitária do Calhariz de Benfica e à estação da CP. A obra ficou concluída em pouco mais de um ano, graças à utilização de módulos de betão pré-fabricados, um método que acelerou significativamente a execução do projeto.
Rendas médias de 400 euros: uma alternativa ao mercado especulativo
Enquanto o mercado privado continua a praticar preços exorbitantes, a estratégia habitacional da Junta de Benfica tem permitido colocar no mercado novas habitações com rendas significativamente inferiores. Entre os fogos já entregues, a renda média situa-se nos 400 euros mensais. Para a autarquia, esta política é essencial para que famílias e jovens possam continuar a viver em Benfica ou escolher a freguesia para fixar residência, numa altura em que a pressão sobre o mercado imobiliário não pára de aumentar.
Este projeto insere-se numa estratégia mais ampla que representa, segundo a autarquia, o maior investimento de sempre realizado por uma junta de freguesia em Portugal na área da habitação. O investimento global ascende já a cerca de 80 milhões de euros, com 297 habitações candidatadas ao Programa 1.º Direito.
O que vem a seguir na habitação acessível em Benfica?
A aposta na habitação deverá prosseguir. Recentemente, o IHRU aprovou candidaturas da Junta de Freguesia para a aquisição de fogos já prontos a habitar, permitindo avançar com um novo concurso para 37 apartamentos. As novas habitações deverão acolher mais de uma centena de moradores, reforçando a oferta habitacional acessível numa freguesia onde a especulação imobiliária tem afastado quem não tem posses.
Numa cidade onde o direito à habitação é cada vez mais um sonho longínquo para muitos, Benfica mostra que é possível fazer diferente. Com financiamento público e vontade política, as casas não têm de ser um negócio para poucos, mas um direito para todos.