A batalha desigual: como a indústria alimentar engana as famílias trabalhadoras
Chocolates de leite, bolachas 'light', hambúrgueres processados. A nutricionista Cláudia Viegas desvenda como as grandes empresas alimentares exploram o amor dos pais pelos filhos para vender produtos nocivos às crianças portuguesas.
Quantas vezes não cedemos aos pedidos dos nossos pequenos, convencidos de que lhes estamos a dar o melhor? A realidade é cruel: somos vítimas de campanhas publicitárias milionárias que transformam veneno em 'alimento nutritivo'.
O engano dos sumos de fruta: quando natural não é natural
"Um alimento processado nunca substitui ou equivale a um alimento no seu estado natural", alerta Viegas. Mesmo que a embalagem prometa o mesmo valor nutricional, o nosso corpo processa de forma completamente diferente uma fruta inteira e um puré industrial.
Estes produtos já vêm 'mastigados', roubando às crianças o processo natural da digestão e alterando a resposta do organismo. É mais um exemplo de como o capitalismo alimentar nos afasta da natureza.
Hambúrgueres e salsichas: a preguiça que nos vendem
Crianças de três, quatro, cinco anos a comer apenas alimentos 'mastigados' como hambúrgueres e salsichas. Esta prática revela como as multinacionais nos convencem a desistir de educar o paladar dos nossos filhos.
Estes produtos escondem sal em excesso, aditivos químicos e outros ingredientes sem qualquer valor nutricional. Pior ainda: limitam a cultura alimentar das crianças, privando-as da riqueza dos alimentos tradicionais portugueses.
O mito do chocolate 'com mais leite'
Uma barrinha de chocolate de 12,5g versus um copo de leite de 200ml. A comparação é demolidora para a indústria chocolateira que nos quer fazer acreditar que está a alimentar as nossas crianças.
"Nunca o consumo deste tipo de alimentos substitui o consumo de leite", sentencia a nutricionista. É mais uma mentira bem embalada para esvaziar as carteiras das famílias trabalhadoras.
Bolachas 'light': a mesma exploração com nova roupagem
"Se têm menos açúcar, têm mais gordura. Se têm menos gordura, têm mais açúcar", explica Viegas. A indústria joga com as nossas preocupações de saúde para nos vender a mesma porcaria com rótulos diferentes.
Três ou quatro bolachas equivalem energeticamente a um pão de 50g. Mas enquanto o pão nos sacia por horas, as bolachas deixam-nos com fome em minutos. É a diferença entre um alimento tradicional e um produto ultra-processado.
A luta é desigual, mas não impossível. Conhecer as artimanhas da indústria alimentar é o primeiro passo para proteger a saúde dos nossos filhos e a economia doméstica das famílias portuguesas.