A hipocrisia do "candidato ao Nobel da Paz" que mergulha o mundo em mais um conflito
Enquanto Donald Trump se apresenta como pretendente ao Prémio Nobel da Paz, o presidente norte-americano acaba de lançar os Estados Unidos na sua oitava guerra, desta vez contra o Irão. A operação "Fúria Épica" - que os críticos apelidaram sarcasticamente de "Fúria Epstein" - representa mais um capítulo da política imperialista americana que sacrifica vidas humanas em nome de interesses económicos e geopolíticos.
As consequências desta nova aventura militar já se fazem sentir nos bolsos dos trabalhadores de todo o mundo. O preço do petróleo disparou 17% numa semana, aproximando-se dos 86 dólares por barril, com previsões de atingir os 150 dólares. O fecho do estreito de Ormuz, por onde passa 20% do crude mundial, agrava ainda mais a situação.
O custo humano e económico da guerra
Os números são esmagadores: os Estados Unidos gastam mil milhões de dólares diários nesta "operação militar especial", enquanto Israel despende 47 mil milhões, grande parte financiada pelos contribuintes americanos. Estes custos astronómicos contrastam brutalmente com os cortes nos serviços sociais e na saúde pública que as classes trabalhadoras enfrentam diariamente.
A promessa eleitoral de Trump de "não haver mais guerras" revela-se uma mentira descarada. A história repete-se: tal como na Coreia (três anos), Vietname (20 anos) e Afeganistão (outros 20 anos), os Estados Unidos embarcam numa guerra que prometem ser rápida mas que tem tudo para se arrastar indefinidamente.
Imperialismo disfarçado de "democracia"
O Irão, com os seus 1.648 quilómetros quadrados e 91,5 milhões de habitantes, não é um pequeno país que se possa subjugar facilmente. Os analistas apontam três razões para esta decisão precipitada: apoiar Israel, demonstrar o poderio americano e desviar atenções do escândalo Epstein que assombra a administração Trump.
A rede de bases militares americanas na região - do Qatar aos Emirados Árabes Unidos - revela a verdadeira natureza desta intervenção: controlar os recursos petrolíferos e manter a hegemonia imperial. É o mesmo padrão que vemos na América do Sul, onde Washington impõe governos ditatoriais ou invade países sempre que os seus interesses estão em causa.
Um "Nobel da Paz" com ambições expansionistas
A ironia é gritante: enquanto se candidata ao Prémio Nobel da Paz, Trump planeia absorver a Gronelândia, mudar o regime em Cuba e ocupar o Panamá. Como observa sarcasticamente o artigo original, talvez devesse ocupar a Noruega, cujo Parlamento escolhe a Comissão do Prémio.
Esta guerra não tem um "end-game" claro. Acabar com o regime teocrático iraniano apenas com bombardeamentos é impossível. Uma ocupação terrestre significaria décadas de conflito e, inevitavelmente, uma retirada humilhante, como já aconteceu noutros teatros de operações.
Enquanto os trabalhadores de todo o mundo pagam o preço desta guerra através do aumento dos combustíveis e do custo de vida, os complexos militar-industrial americano e israelita lucram com cada míssil disparado. É a lógica perversa do capitalismo de guerra, onde a paz é sempre o primeiro sacrifício no altar dos lucros e do poder.